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'Ella e John' e 'Com Amor, Simon' estão entre as estreias da semana

Comédia dramática sobre o amor na maturidade e drama sobre problemas de adolescente para assumir homossexualidade estão em cartaz

Luiz Carlos Merten e Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S. Paulo

05 Abril 2018 | 06h00

Na estrada com Paolo Virzì e seu belo elenco

‘Ella e John’, com Helen Mirren e Donald Sutherland, possui encanto

Entrevistado pelo Estado na época de Loucas de Alegria, o diretor italiano Paolo Virzì conversou com a reportagem de uma locação no interior dos EUA. Estava filmando Ella e John, que estreia nesta quinta, 5. Virzì estava encantado. Disse que estava sendo um privilégio trabalhar com atores do calibre de Helen Mirren e Donald Sutherland. Os dois fazem esse casal de velhos que cai na estrada revivendo antigas emoções. É difícil saber quem está pior de saúde.

Filmes de idosos não costumam ser muito atraentes para gente jovem, mas é tão bom ver a grande Helen e Sutherland contracenando que o negócio é relaxar na poltrona e gozar o espetáculo. A estrada metaforiza a vida. Acontece de tudo, até uma inesperada e divertida tentativa de assalto. No meio do caminho, o filme ‘atravessa’ a própria eleição de Donald Trump, e a dupla de protagonistas vê-se no meio de uma manifestação de apoio ao atual presidente, na época candidato.

Loucas de Alegria, com Valeria Bruni Tedeschi e a mulher do diretor, Micaela Ramazzotti, já era um filme ‘on the road’, de estrada. Ella e John mantém o gênero. Sutherland sofre de uma doença degenerativa que afeta a memória. Numa cena, Ellen lhe mostra fotos. “Quem são essas pessoas?”, ele pergunta. Às vezes, do nada, reconhece um, uma. É o milagre do cinema. Abrir uma janela para o mundo e para vidas que nós, o público, desconhecemos.

Nos últimos anos, Paolo Sorrentino foi descoberto pelo público e pela crítica dos EUA, e até passou a filmar em língua inglesa – Youth, A Juventude. O outro Paolo não parece tão ambicioso, esteticamente – Sorrentino quer ser o herdeiro do imaginário de Federico Fellini. Virzì filma pequenas vidas, mas seu filme dá conta dos afetos e do estado do mundo. Revela a ‘América’ profunda. Você vai agradecer ao diretor e a seu elenco por esses momentos de humanidade.

Ella e John / The Leisure Seeker (Itália, França/2017, 112 min.)Dir. de Paolo Virzì. Com Helen Mirren, Donald Sutherland, Christian McKay, Dana Ivey

'1945’ e o mundo que emerge das cinzas da guerra

Tem gente que acusa o diretor húngaro Ferenc Torók de falta de sutileza, dizendo que ele carrega no maniqueísmo em 1945. Talvez não estejam sabendo ver seu filme direito.

O longa que estreia nesta quinta, 5, reabre cicatrizes da guerra. Começa num clima de festa, a celebração de um casamento. Quem está se casando é o filho de um importante funcionário do governo. É quando chegam esses dois judeus de barbas vetustas. Carregam caixas. Trazem o peso da culpa para os habitantes.

Logo, o que está em discussão é a herança da guerra. Como a população local se comportou em relação aos judeus – à sua deportação, ao seu extermínio? Reabrem-se velhas feridas. As reações variam do medo ao revide violento.

István, o funcionário que está casando seu filho, parece concentrar todo o mal – antissemita, machista, mantém-se no poder por força de intimidação.

O novo mundo após a guerra desenha-se sombrio – a noiva trai o marido, é odiada pela sogra. Ocorrem incêndios criminosos, chuvas redentoras. Tudo em preto e branco. É um filme bem melhor do que pesam seus apressados críticos. / L.C.M.

1945 (Hungria/2017)Dir. de Ferenc Török. Com Péter Rudolf, Bence Tasnádi, Tamás Szabó Kimmel, Dóra Sztarenki, Ági Szirtes

Um mundo de silêncio para celebrar armas

Ator de filmes como 13 Horas – Os Soldados Secretos de Benghazi e de séries como The Office/Vida de Escritório, John Krasinski dirige e atua em Um Lugar Silencioso. Seria absurdo negar ao longa as qualidades que ele possui. Krasinski cria clima, dirige bem os atores, mas isso não basta para salvar Um Lugar Silencioso.

A trama passa-se num mundo pós-apocalíptico. Pouca gente sobreviveu ao ataque de monstros atraídos pelo som. O mundo torna-se silencioso. A trama acompanha essa família. Pai, mãe, três filhos – logo dois. Numa conversa com o marido, ela pergunta – “Que pais somos nós, se não conseguimos proteger nossos filhos?” Toda a mise-en-scène dá sustentação a essa angústia. Proteger os filhos. Parece tão humano.

Os monstros, meio ridículos, que dizimaram a humanidade de repente revelam-se dos mais vulneráveis. Como? Se a solução é tão simples, por que ninguém pensou nela antes? Porque não haveria o filme, claro. Até isso seria possível engolir. O duro é o comercial das armas. O rifle é a salvação num momento em que os EUA, consternados pela última chacina, discutem controle de armamentos. / L.C.M.

Um Lugar Silencioso (EUA/2018, 90 min.)Dir. de John Krasinski. Com John Krasinski, Emily Blunt, Millicent Simmonds

‘Com Amor, Simon’ é caso de ousadia sem risco 

Com Amor, Simon, de Greg Berlanti, vem sendo saudado como raro filme de “saída do armário” patrocinado pela indústria cinematográfica, em geral conservadora em relação a esse tipo de assunto. É verdade. O filme é bonitinho e mostra os problemas enfrentados pelo adolescente Simon Spier (Nick Robinson) para assumir sua homossexualidade. 

Apesar desse avanço, no todo Com Amor, Simon parece bem mais convencional que subversivo. É aquele tipo de filme sobre high school americana, com seus casos de bullying, rivalidades, primeiros namoros, etc.

Simon tem um grupo íntimo de amigos e uma garota, companheira desde a infância, deseja namorar com ele, desconhecendo os reais interesses sexuais do rapaz. Solitário em sua angústia, Simon só se abre com um amigo virtual, que se esconde atrás de um pseudônimo.  

Simpático, razoavelmente divertido e superpoliticamente correto, Com Amor, Simon é também bastante pudico em matéria sexual. Desse jeito, com tantos cuidados e sem riscos, até a indústria tolera. 

Com Amor, Simon (EUA/2017, 110 min.)Dir. de Greg Berlanti. Com Nick Robinson, Jennifer Garner, Josh Duhamel 

Em Nome da AméricaCotação: Bom

Nos anos 1960, jovens americanos serviram no Nordeste como parte do Peace Corps, expressão de soft power da superpotência. Em Nome da América, de Fernando Weller, mostra nuances da Guerra Fria e como o Brasil era considerado território estratégico para a política externa de Tio Sam. / L.Z.O.

Uma Temporada na França - Cotação: Bom

Em Uma Temporada na França, de Mahamat-Saleh Haroun, Abbas (Eriq Ebouaney) é um professor africano que emigra para a França com dois filhos. Pede o visto, enquanto começa relacionamento com Carole (Sandrine Bonnaire). Mas, para o sistema, o fator humano não conta. / L.Z.O.

 

Covil de Ladrões

Tudo acontece em Los Angeles nesse longa que faz um paralelo entre uma equipe de elite da polícia e a quadrilha de roubo a bancos mais famosa da cidade, que sempre sai imune de seus crimes. O bando planeja roubo ao banco federal da cidade cuja segurança o torna impossível de ser assaltado.

O Homem das Cavernas

Nos tempos em que dinossauros e mamutes e outras criaturas pré-históricas ainda viviam na Terra, um corajoso homem das cavernas une sua tribo contra um inimigo poderoso da Idade do Bronze, para tentar vencê-lo em uma grande batalha, que será definida em uma partida de futebol.

 

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