Andrew Medichini/ AP
Andrew Medichini/ AP

Elenco de ‘O Poderoso Chefão’ se reúne no 45º aniversário do filme

Coppola quase foi demitido e encontrou resistência à escolha de Al Pacino como Michael Corleone, e de Marlon Brando como o poderoso chefão

Jill Serjeant, Reuters

30 Abril 2017 | 16h22

Al Pacino foi considerado baixinho, Marlon Brando foi obrigado a fazer um teste de câmera e o diretor Francis Ford Coppola quase foi demitido.

No sábado, 29, o diretor e o elenco de O Poderoso Chefão se reuniram em Nova York para o aniversário de 45 anos do filme e relembraram as provações, perseverança e inspiração que resultaram na sequência de filmes de máfia vencedora do Oscar.

Coppola, Al Pacino, Robert De Niro, Diane Keaton, James Caan, Talia Shire e Robert Duvall assistiram O Poderoso Chefão (1972) e O Poderoso Chefão - Parte II (1974) junto a outras 6 mil pessoas na noite de encerramento do festival de cinema de Tribeca.

"Eu não assisto a esses filmes há anos", afirmou Coppola. "Tive uma experiência muito emocionante. Tinha esquecido sobre a produção do filme e pensei na história, e a história usou muita família e minhas coisas pessoais".

Os dois filmes ganharam nove Oscars e a história de como um órfão da Sicília emigrou para os Estados Unidos na virada do século 20 e formou a família do crime Corleone tornou-se um clássico do cinema.

Mas o filme teve um começo menos auspicioso. Coppola lembrou que o estúdio hollywoodiano Paramount queria, na década de 1970, fazer um filme "barato e rápido".

Por diversas vezes, Coppola quase foi demitido e encontrou resistência à escolha de Al Pacino como Michael Corleone, e de Marlon Brando como o poderoso chefão.

Brando, que morreu em 2004, teve vários fracassos após uma carreira bem sucedida na década de 1950 e tinha uma reputação de ser difícil.

"Foi-me dito (por executivos de estúdio) que ter Brando no filme o tornaria menos comercial que ter um total desconhecido", disse Coppola.

Brando criou a voz áspera, as bochechas macias e os cabelos oleosos para Corleone no teste de tela. No entanto, três semanas depois da filmagem, havia mais problemas.

"Eles (o estúdio) odiavam Brando, achavam que ele murmurava e odiaram o filme ... Estava muito escuro", disse Coppola. Brando ganhou um Oscar pela performance.

O estreante Al Pacino teve que fazer o teste "inúmeras vezes" para o papel de Michael, o filho universitário que se encarregava dos negócios da família Corleone. Os chefes do estúdio o acharam muito baixo e queriam Robert Redford ou Ryan O'Neal no papel.

No entanto, Coppola persistiu porque "toda vez que lia o roteiro, sempre via seu rosto (de Pacino), especialmente nas cenas da Sicília".

Pacino disse que, originalmente, queria o personagem do filho cabeça quente, Sonny, e chegou a pensar que Coppola "estivesse realmente louco" por deseja-lo no papel de Michael.

O filme o lançou como um dos atores mais honrados de sua geração.

Por sorte, desempenhou um papel na criação de algumas das cenas mais memoráveis dos dois filmes. A revelação da esposa de Corleone, Kay (Keaton), de que havia abortado seu bebê por causa do horror sobre as atividades criminosas de seu marido foi sugerida por Talia Shire (Connie).

E o gato na cena de abertura de O Poderoso Chefão, fazendo um forte contraste com sua presença intimidante, foi uma adição de última hora. "Eu coloquei aquele gato em suas mãos, era o gato do estúdio, era uma tomada", disse Coppola.

 

 

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