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Editoras rivais nas HQs duelam agora no cinema

Marvel se estabelece na adaptação dos quadrinhos para as telonas, mas a DC não quer ficar para trás na corrida

Pedro Antunes, Diogo Shiraiwa (infografia), O Estado de S. Paulo

09 Maio 2015 | 20h00

Os heróis já estavam no cinema há tempos. O pouco conhecido Superman e o Homem Mola havia estreado em 1951, embora o gênero só tenha ganhado notoriedade 21 anos depois, com Superman: O Filme, estrelado por Christopher Reeve. Entre altas e baixas ao longo das décadas seguintes, o gênero renasceu de vez quando Robert Downey Jr., ator promissor que jogava a carreira fora pelos seus excessos, aceitou dar vida ao Homem de Ferro, em filme lançado em 2008. A editora Marvel tinha um plano ambicioso de criar um universo cinematográfico gigantesco com seus personagens e lançou 11 produções até agora. Ao ver a Marvel dar as cartas nas adaptações cinematográficas, a grande rival da companhia nos quadrinhos, a DC, busca o contra-ataque. Agora, a disputa não é por exemplares de HQs vendidos e, sim, pelos milhões em bilheteria.

Veja mais detalhes dos filmes lançados pela Marvel e DC no infográfico criado por Diogo Shiraiwa.

Um dos três autores do guia Quadrinhos no Cinema, que chega ao terceiro volume, Alexandre Callari entende que a Marvel tomou a dianteira justamente por ter uma ideia muito mais clara do que gostaria de fazer. “A Marvel criou uma fórmula nos filmes. Capitão América, Thor, Homem de Ferro e até o primeiro Vingadores. Eles obedecem a mesma fórmula de apresentar o herói, o vilão, a pancadaria. Está tudo bem formatadinho”, diz ele, também editor das edições brasileiras das revistas Batman e Liga da Justiça, da DC. A rival, por sua vez, patina justamente nessa falta de comando central, opina ele. “A Marvel tem a vantagem muito grande de ter no comando o Kevin Feige (presidente da Marvel Studios). A DC tenta fazer o mesmo com o (diretor) Zack Snyder.

 

O fato é que a DC, depois do estonteante sucesso da trilogia Batman: O Cavaleiro das Trevas, com filmes lançados em 2005, 2008 e 2012, perdeu seu cineasta mais promissor, Christopher Nolan, assim como rosto para o novo Batman/Bruce Wayne, com o ator Christian Bale. O fracasso retumbante de Lanterna Verde (2011) esfriou ainda mais as intenções do estúdio.

Hoje, o estúdio tenta seguir o rival, que descobriu uma mina de ouro ao criar uma linha condutora entre todos os seus filmes (veja detalhes dessa disputa abaixo). Sob o comando de Snyder, que colocou o Superman nos eixos com Homem de Aço, a DC planeja atropelar a Marvel reunindo logo seus principais personagens. Em 2016, colocará nas telonas Superman, um novo Batman, interpretado por Ben Affleck, e Mulher Maravilha, vivida por Gal Gadot. Com Batman Vs Superman: Origem da Justiça, a companhia tenta chegar perto da liderança da Marvel. O caminho, contudo, parece difícil até para alguém com superpoderes.

Assista ao trailer de Batman Vs. Superman:

Assista ao trailer de Os Vingadores: Era de Ultron:

Marvel faz sucesso nos cinemas, mas derrapa nas bancas 

Hoje é impensável, mas, nos anos 1990, a Marvel faliu e precisou vender os direitos cinematográficos dos seus principais personagens, como X-Men, Homem-Aranha e Quarteto Fantástico. Quando descobriu o pote de ouro que eram as adaptações, ela buscou recuperar alguns deles. Conseguiu ter novamente o Hulk e, mais recentemente, o Cabeça de Teia. Sem ter poder sobre X-Men, qualquer personagem mutante e o Quarteto, ela deixou as HQs deles de lado. Os mutantes serão exilados no espaço, veja bem, e o Quarteto teve a sua revista própria encerrada de forma melancólica e com uma trama pouco interessante. A ordem, agora, é inversa: o cinema dita as regras e as HQs acompanham. E isso pode minar a criatividade do estúdio nos próximos anos. Enquanto isso, a rival DC segue dando mais liberdade para seus roteiristas. Personagens como Batman e Superman continuam com histórias arrebatadoras e prontas para o cinema. É a virada? / Pedro Antunes

 

 

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