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Drama sobre mãe que quase mata filho de fome comove Veneza

MICHAEL RODDY - REUTERS

01 Setembro 2014 | 16h 07

Um filme sobre uma mãe nova-iorquina que não alimenta o filho por acreditar que ele é um santo e que os alimentos o tornarão impuro causou sensação no Festival de Cinema de Veneza pela mudança de tom, passando do romance leve à psicose dolorosa.

"Hungry Hearts", do diretor italiano Saverio Costanzo, é um dos dois filmes italianos já exibidos esta semana entre os 20 concorrentes ao Leão de Ouro no festival de cinema mais antigo do mundo.

A produção é estrelada por Adam Driver, que estará na próxima trilogia "Star Wars", e a atriz italiana Alba Rohrwacher como sua esposa.

Filmado com um orçamento de menos de um milhão de euros, “Hearts" inicia como uma comédia romântica quando Jude, personagem de Driver que trabalha como engenheiro, e Mina, interpretada por Rohrwacher, são trancados por acidente no banheiro de um restaurante chinês.

Eles se dão bem de imediato, casam-se e têm um filho, que carrega a fixação de Mina por limpeza, que chega ao ponto de ela obrigar Jude a lavar as mãos sempre que entra no apartamento.

A mãe só oferece vegetais que ela mesma cultiva para o bebê, que uma clarividente lhe disse poder ser a reencarnação de um espírito de outro mundo. Proíbe que ele consuma qualquer carne ou laticínio e não deixa o marido levá-lo a um médico, de quem ela desconfia.

Quando Jude finalmente leva o filho ao médico, este diz que a desnutrição da criança ameaça sua vida, o que leva a um confronto entre pai e mãe, que rapidamente degenera para um cenário de terror no estilo “O Bebê de Rosemary”.

Jude leva a criança para passear e alimenta o filho às escondidas, mas quando volta Mina dá um laxante ao filho para ter certeza de que ele irá expelir a carne.

Francesco Bollorino, editor do site psychiatryonline.it, disse após uma exibição que, embora o filme tenha um final bem “cinematográfico”, seu retrato da mãe, que pensa fazer o melhor pela criança mesmo que todos ao seu redor pensem que ela a está matando, é “muito realista”.

“A fronteira entre saúde e insanidade é difícil de ver neste tipo de caso”, afirmou, acrescentando que dietas da moda e novos estilos de vida tornam ainda mais complicado para as pessoas determinar o que é certo ou não comer.

O diretor Costanzo, cujo roteiro se baseia em um romance de Marco Franzoso, declarou ter se sentido atraído pela história por ela parecer real.

“Dá a sensação de um fato real, mas não sei se isso aconteceu ou não”, disse.