REUTERS/Kevork Djansezian
REUTERS/Kevork Djansezian

Documentário '13th' traça caminho da escravidão até prisões em massa de negros dos EUA

Novo filme foi dirigido por Ava DuVernay, que também fez 'Selma', em 2014, sobre direitos civis

Reuters

05 Outubro 2016 | 11h08

NOVA YORK - Já se passaram 150 anos desde que a escravidão foi abolida oficialmente nos Estados Unidos, mas o documentário 13th, uma produção do Netflix, argumenta que o escravismo ainda está vivo no encarceramento em massa que afeta desproporcionalmente a população negra norte-americana.

Usando imagens de televisão, música e entrevistas com acadêmicos, políticos e ex-prisioneiros, a diretora Ava DuVernay (de Selma) retrata os afro-americanos como pessoas que continuam escravizadas, algo que remonta aos linchamentos, à luta pelos direitos civis, aos aprisionamentos por delitos de drogas, às leis 'pare e reviste' e ao surto atual de mortes de civis negros desarmados pelas mãos da polícia.

A população carcerária dos EUA foi de 357 mil pessoas em 1970 para 2,3 milhões em 2014, segundo o documentário. Enquanto os homens negros representam cerca de 6,6% da população do país, atualmente equivalem a 40,2% da população carcerária.

DuVernay, conhecida por ter dirigido Selma, filme sobre direitos civis de 2014, cresceu no bairro de Compton, em Los Angeles, berço do rap da Costa Oeste dos EUA.

"Na comunidade na qual cresci, não pensamos em segurança quando vemos a polícia... então isso sempre esteve na minha mente, e como eu fui aluna de estudos afro-norte-americanos na Universidade da Califórnia em Los Angeles, pude usar essa experiência em um contexto histórico e cultural, e isso realmente solidificou meu interesse muito, muito profundo no espaço e nesse tema. Sempre soube que faria um filme sobre isso", disse.

O documentário deve seu título à 13ª emenda da Constituição dos EUA, que acabou com a escravidão em 1865.

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