Eric Gaillard/Reuters
Eric Gaillard/Reuters

Diretor Michael Haneke classifica o movimento #MeToo como 'caça às bruxas'

'Me preocupa este novo puritanismo, impregnado de ódio aos homens', diz austríaco

AFP

09 Fevereiro 2018 | 17h16

O cineasta austríaco Michael Haneke, duas vezes vencedor da Palma de Ouro em Cannes, considera que o movimento #MeToo, de denúncia de abusos sexuais, se tornou uma "caça às bruxas" e que gera um novo "puritanismo".

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"Me preocupa este novo puritanismo, impregnado de ódio aos homens, que nos chega no rastro do movimento #MeToo", afirma o diretor de cinema em entrevista ao jornal austríaco Kurier desta sexta-feira, 9.

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"Enquanto artista, começamos a confrontar o medo ante esta cruzada contra qualquer forma de erotismo", afirma Haneke. Segundo ele, O Império dos Sentidos, de Oshima, um dos filmes mais profundos sobre sexualidade, "não poderia ser filmado hoje".

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"É claro que qualquer forma de estupro ou abuso sexual deve ser punida. Mas esta histeria e as condenações sem julgamento que assistimos hoje me parecem repugnantes", acrescenta o cineasta de 75 anos.

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Para o diretor de A Fita Branca (Palma de Ouro em 2009) e de Amor (Palma de Ouro e um Oscar em 2012), que não foi objeto de nenhuma acusação, "cada 'shitstorm' (enxurrada de críticas) que essas 'revelações' geram, inclusive nos sites de jornais sérios, envenena o clima no seio da sociedade".

Na realidade, no que se refere ao abuso sexual, este ambiente de "caça às bruxas" pode "tornar cada vez mais difícil" um debate "sobre este tema tão importante".

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