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Diretor da estética "árido movie" busca apoio

Agencia Estado

18 Maio 2001 | 13h 24

No curta-metragem Texas Hotel, o pernambucano Cláudio Assis, de 42 anos, acompanha a rotina de um hotel de alta rotatividade no centro velho do Recife. São 14 minutos que resumem 24 horas na existência das pessoas que habitam e dão vida àquele local decadente. O filme foi uma espécie de "ensaio privilegiado" de Amarelo Manga, que vai marcar a estréia de Assis na direção de longa-metragem. Com Matheus Nachtergaele, Dira Paes, Chico Diaz e Aramis Trindade no elenco, a produção começa a ser rodada em 15 de agosto, na capital pernambucana. Com mais dois curtas-metragens e um crédito como diretor de produção de Baile Perfumado no currículo, Assis faz parte da geração que criou o chamado "árido movie". A suposta nova estética nasceu de uma brincadeira entre ele e os diretores pernambucanos Lírio Ferreira e Paulo Caldas. "Na verdade, a gente queria mostrar que era possível fazer filmes bons com pouco dinheiro", revela. "Mas só criamos esse nome para tirar uma onda com a história do mangue beat, que estava no auge com o Chico Science." Texas Hotel e Amarelo Manga são quase iguais na concepção. Os personagens, cenários e a trama só diferem em tamanho e abrangência. A ação se passa no arco de um dia. E gira em torno do assassinato do dono de uma espelunca no centro histórico do Recife. Os protagonistas são as pessoas que vivem, trabalham e freqüentam aquele local. Em Amarelo Manga, o elenco terá estrelas. Matheus Nachtergaele vai fazer o papel do travesti Dunga, emulação do Cintura Fina de Hilda Furacão. Chico Diaz será o açougueiro Wellington. Dira Paes encarnará a protestante Kika Canibal, inspirada em personagem de notícia de jornal. E Aramis Trindade será o Rabecão, funcionário do IML. Ambientado no Recife, Amarelo Manga poderia ser feito em qualquer cidade. A idéia é mostrar que o caos urbano está afastando as pessoas. "Os grandes centros estão acabando com todo mundo", explica Assis. "Ninguém sabe quem está ao seu lado", diz "Tem amor, tem tesão, tem tudo rolando em toda parte e as pessoas não se dão conta." O filme será fotografado pelo veterano Valter Carvalho, que também assina Texas Hotel. A concepção visual será parecida com a do curta, com grandes planos-seqüências e imagens poluídas por um visual sujo e decadente. As filmagens se realizarão entre agosto e setembro, em locações no Recife, em Olinda e Jaboatão. Amarelo Manga tem custo previsto de R$ 1 milhão, por causa do compromisso com o concurso para filmes de baixo orçamento promovido pelo Ministério da Cultura (MinC). Assis captou até agora R$ 590 mil, provenientes do prêmio dado pelo MinC e de patrocínio (BR Distribuidora e Eletrobrás) obtido por meio da Lei do Audiovisual. "Consigo rodar", avisa. "Mas ainda precisamos captar para a finalização." Segundo as regras do edital do ministério, os filmes agraciados no concurso devem ser entregues até dezembro. Único estreante em longa-metragem e único nordestino premiado no concurso para produções de baixo orçamento do MinC, Assis diz que só vai realizar o filme graças ao prêmio. Mas não deixa de tecer suas críticas. "Foram premiados 11 projetos: o meu, que é do Norte e Nordeste, dois do Rio Grande do Sul, dois de Brasília e o restante de São Paulo e Rio de Janeiro", contabiliza. "Como pode haver renovação desse jeito?"

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