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'O Bom Dinossauro' transpõe western para a pré-história

Longa que teve problemas durante a realização ainda tem o complemento de um curta ótimo,‘Os Heróis de Sanjay’

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Luiz Carlos Merten,
O Estado de S. Paulo

07 Janeiro 2016 | 20h44

Em Cannes, no ano passado, houve um evento da Pixar para promover Divertida Mente. Pete Docter e John Lasseter falaram do filme e dos novos rumos da empresa com a Disney. Lasseter não se furtou a discorrer sobre outros projetos em andamento da Pixar. O mais polêmico deles, claro, era O Bom Dinossauro, que finalmente estreou na quinta, 7, mais de um ano depois da data inicialmente prometida. Lasseter, que tem crédito de produtor, não minimizou os problemas.

Para o espectador que agora assiste a O Bom Dinossauro é curioso ver como o filme tem um crédito de direção (Peter Sohn) e outro de conceito e criação de personagens (Bob Peterson). O segundo era o diretor original, mas foi substituído depois de empacar no terceiro ato da história. Foi preciso a intervenção de todo o ‘brain storm team’ da Pixar para que o filme, finalmente, fosse concluído.

Lasseter chegou a dizer que Sohn salvou o dinossauro fictício (e animado) da destruição ao transformar a aventura pré-histórica num western. Isso passa pela construção dramática que faz com que a casa de ‘Arlo’, o dinossauro teen, seja uma fazenda não muito diferente daquela a que chegava o mitológico Shane em Os Brutos Também Amam, de George Stevens, com aqueles cumes nevados ao fundo.

 Para o repórter, foi uma experiência e tanto assistir ao filme com o público em sua primeira sessão. Antes de falar sobre O Bom Dinossauro, vale destacar o complemento – o curta Os Heróis de Sanjay, de Sanjay Patel. Lasseter vive falando da diversidade cultural dos animadores da Pixar. Sanjay é indiano e faz com que seus deuses dialoguem, ou interajam, com os super-heróis do Ocidente. O curta é ótimo.

O longa – O Bom Dinossauro –, também, mas talvez se destine mais ao público adulto, aos pais, que às crianças. Elas ficaram muito inquietas durante a sessão. Houve choro. De cara, Arlo revela-se um ‘garoto’ medroso. A perda do pai só acentua suas inseguranças. Ele se perde no mundo e passa a hora e meia seguinte tentando voltar para casa – o tema por excelência de Hollywood, de ...E o Vento Levou a E.T. No caminho, encontra/adota o ‘menino’ humanoide. Será uma jornada de superação para ambos. O filme fala de morte, daquilo que se ganha e perde com o amadurecimento. Há uma despedida de cortar o coração, como a de Shane. O Bom Dinossauro pode muito bem ser a mais densa e emocional animação da Pixar.

 

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