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Desta vez, as Tartarugas Ninja têm personalidade

Luiz Carlos Merten - O Estado de S. Paulo

20 Agosto 2014 | 09h 47

Filme tem boas cenas de ação e até chega a discutir temas mais sérios, como a paternidade e a mulher no mercado de trabalho

Dos quadrinhos para a animação e a live-action - permeada de efeitos -, as Tartarugas Ninjas foram um fenômeno dos anos 1980 e 90. Relegadas ao ostracismo, ressurgem agora numa aventura dirigida por Jonathan Liebesman. É o realizador de Fúria de Titãs 2. Adora uma pancadaria. A produção é de Michael Bay, e isso faz toda a diferença. Michael Bay é aquele produtor e diretor que os críticos amam odiar. Mas ele deve possuir o toque de Midas, porque o público embarca em seu cinema, seja com os Transformers ou, agora, com as Turtles.

Onze entre dez críticos já devem ter assinalado o que é de Michael Bay nas novas Tartarugas Ninjas. O filme tem uma mocinha - de carne e osso - que faz o gênero hipergostosa e, por isso mesmo, é relegada a repórter de frescuras, quando seu desejo é ser investigativa. Ocorre uma onda de crimes na cidade. Ela testemunha quando um misterioso justiceiro consegue derrotar os criminosos. Ninguém acredita, muito menos a editora do jornal - Whoopi Goldberg. A repórter sexy é Megan Fox, que brigou com Michael Bay, saiu - com toda a turma anterior - da série Transformers, mas entra com tudo nas Tartarugas. A ligação de sua personagens com as tartarugas mutantes vem de longa data, você vai ver. E, claro, se o filme tem William Fichtner no papel de um benfeitor da cidade, há algo errado na trama. É bom desconfiar. Esse cara é o mau de carteirinha em Hollywood, e você já vai descobrir (mais uma vez).

Divulgação
Cena do novo filme que tem a produção de Michael Bay

O machismo - de Bay? De Liebesman? Dos dois? - rende algumas piadas incorretas que envolvem o bumbum de Megan, mas é tudo coisa leve e a moça arrisca-se pelas turtles com seu (quase) namorado humano, Will Artnett. Ele próprio tem seus momentos de herói, mesmo que, na maior parte do tempo, esteja em cena para proporcionar, como se diz, alívio cômico. O filme tem boas cenas de ação - Titãs 2 também tinha -, muitos efeitos de CGI, mas o que realmente importa, e deve agradar aos fãs de carteirinha, não importa a idade, é a nova versão das Tartarugas.

Há toda uma discussão sobre o fato de elas serem adolescentes, e de mestre Splinter, como pai zeloso, tê-las protegido, com medo de que saíssem para o mundo - o que todo pai responsável faz, aqui mesmo no mundo real. Vamos ser sérios. As velhas Tartarugas eram muito iguais e, praticamente, só as bandanas realçavam as identidades de Rafael, Leonardo, Michelangelo e Donatello. O charme dos filmes antigos vinha disso, de um tom e uma realização que eram toscos, porque, afinal, tartarugas falantes e boas de artes marciais... Qualquer um que quisesse levar a sério deveria ter a cabeça examinada. Desta vez, com tecnologia de ponta, as Tartarugas são individualizadas para valer. Fica mais claro quem lidera o grupo, quem é mais atrapalhado, quem é mais romântico. Dos quatro, Rafael é quem fica mais assanhadinho por uma relação com Megan. E, bem, mesmo com risco de ser considerado louquinho - se alguém examinar a cabeça do repórter - o filme fala, sim, de temas sérios. Paternidade e a mulher no mercado do trabalho, por exemplo.