Imperative Entertainment
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Decisão de Ridley Scott de refilmar trouxe mais charme para 'Todo Dinheiro do Mundo'

O diretor acredita que a substituição de Kevin Spacey por Christopher Plummer deu mais classe ao avô J. Paul Getty

Jill Serjeant , Reuters

01 Fevereiro 2018 | 06h00

LOS ANGELES - Quando o diretor Ridley Scott decidiu tirar Kevin Spacey de seu filme Todo o Dinheiro do Mundo e refazer a obra com Christopher Plummer, não estava realizando apenas uma façanha extraordinária. O desempenho de Plummer como o bilionário do petróleo J. Paul Getty mudaria sutilmente o próprio tom do filme sobre o sensacional sequestro do neto de 16 anos de Getty, ocorrido em 1973.

“Kevin tem uma certa frieza. É seu estilo, mesmo em papéis que exigem emoção”, disse Scott numa entrevista. “Já Plummer é extremamente charmoso, e quando aplica esse charme, deixa até diálogos ásperos muito mais interessantes.”

Todo o Dinheiro do Mundo, filme em parte biográfico, em parte de suspense, mostra o sequestro ocorrido na Itália de John Paul Getty III e a recusa do avô em pagar o resgate de US$ 17 milhões, embora fosse o homem mais rico do mundo. 

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Numa decisão rara em cinema, Scott anunciou em novembro que refilmaria com Plummer a película inacabada, após o surgimento de acusações de assédio sexual envolvendo Spacey. O diretor explicou que temia a ruína do filme em consequência da publicidade negativa.

Spacey pediu desculpas após vir a público a primeira denúncia de assédio, feita pelo ator Anthony Rapp. Entretanto, em seguida mais de 30 homens o acusariam de comportamento impróprio. Ele acabou excluído da temporada seguinte da série da Netflix House of Cards.

Plummer, de 88 anos procurou humanizar a figura de Getty. Ele disse que não fez pesquisas para a refilmagem, realizada em nove dias em Londres e Roma em meados de novembro. Também não viu as cenas originais de Spacey. 

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“O prazo era muito apertado”, argumentou. Ele sentiu, porém, que “o personagem era mais frágil que o sugerido no roteiro”, o que o levou a dar a Getty uma dimensão diferente, “mais humana”. 

Plummer foi indicado para o Oscar de melhor ator coadjuvante pelo desempenho no filme.

Segundo Scott, o que mais o atraiu no projeto não foi o sequestro em si, de autoria da ‘Ndrangheta, a máfia calabresa (a vítima teve uma orelha cortada), mas a figura do velho Getty. 

“Getty era um homem enigmático que se isolou do mundo por meio da riqueza”, disse o diretor britânico. “Quando alguém enriquece tanto, os amigos vão ficando para trás e a pessoa termina isolada.” Getty morreu em 1976. 

Scott considerou um pouco alto o orçamento do filme, US$ 40 milhões, mais US$ 10 milhões da refilmagem, bancado pela produtora Imperative Entertainment. 

Ele agora espera que a curiosidade em torno da decisão de refilmar, tomada apenas seis semanas antes do prazo de lançamento, impulsione o filme em lugar de prejudicá-lo. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ 

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