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'De Gravata e Unha Vermelha' mostra a luta pela aceitação e contra o preconceito

Longa tem a diversidade sexual como tema central

Luiz Zanin Oricchio , O Estado de S. Paulo

13 Maio 2015 | 05h00

Há questões que se impõem na vida contemporânea, enquanto outras saem da pauta. Uma das que se destacam, mesmo neste Brasil assolado por um neoconservadorismo extemporâneo, é a pauta da diversidade sexual. A maneira plástica como a sexualidade humana se estrutura implode a classificação fácil ou “natural” de categorias como macho, fêmea e “desviantes”. Isso se sabe desde a Antiguidade, embora ainda provoque pasmo em nobres parlamentares. Só recentemente passou a ser assumida de pleno direito, mas continua de difícil assimilação social para a moral média da população nacional. Em De Gravata e Unha Vermelha, a cineasta e psicanalista Miriam Chnaiderman lança um olhar delicado sobre esse leque aberto pela sexualidade humana, buscando retratar mais as pessoas em sua individualidade do que enquadrá-las em classificações fáceis. 

O documentário ouve uma gama variada de depoentes, que abarca de celebridades como Ney Matogrosso, Laerte e Rogéria até anônimos. Muitos destes enfrentam preconceitos em regiões do País fora dos núcleos metropolitanos que, de modo geral, absorvem melhor as diferenças - tolerância que é a contrapartida da fria impessoalidade urbana. 

 

De qualquer forma, De Gravata e Unha Vermelha traça um painel do, digamos assim, estado das coisas da questão da diversidade sexual no Brasil. Parece adequado mesclar casos de pessoas famosas e anônimas. O mundo não trata as duas esferas da mesma maneira. Celebridades gozam de uma espécie de alvará para serem diferentes da média, coisa que não acontece com a gente comum. Mesmo assim, é muito interessante o que pessoas de destaque têm a dizer sobre sua formação e exercício das suas sexualidades. Ney e Rogéria assumiram a diferença quando essa postura era um grande tabu. Laerte, com seu crossdressing descontraído, causa ainda desconforto em certa faixa da população. 

A opção pelo grande número de entrevistados cobra seu preço. Procurando ser abrangente, o documentário torna-se às vezes um tanto dispersivo. Talvez se concentrando num universo mais reduzido, pudesse aprofundar os retratos. Seja como for, mesmo sem buscar a perfeição, De Gravata e Unha Vermelha expressa sem dúvida uma perspectiva progressista de sua autora, que faz cinema, mas tem como origem profissional a prática da psicanálise. Miriam, até mesmo pela experiência clínica, encontra-se particularmente bem posicionada para acolher o tema da diversidade sexual. E também sabe muito bem a gama de sofrimento adicional que o preconceito pode impor a determinados indivíduos. Nesse sentido, o filme cumpre uma tarefa civilizatória, de que andamos muito precisados, sem dúvida.

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