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Daniela Mercury participa de documentário sobre axé e revê o gênero em CD e DVD

Dirigido por Chico Kertész, filme traz depoimentos de nomes como Caetano Veloso, Carlinhos Brown e Gilberto Gil

Adriana Del Ré, O Estado de S. Paulo

31 Outubro 2016 | 04h00

Quando Daniela Mercury assistiu ao documentário Axé: Canto do Povo de Um Lugar, com direção de Chico Kertész, ela sentiu literalmente que um filme de sua vida passava diante dos olhos. Kertész reconstitui a história de 30 anos da axé music, comemorados em 2015, por meio dos depoimentos de entrevistados como Bell Marques, Caetano Veloso, Carlinhos Brown, Claudia Leitte, Gilberto Gil, Ivete Sangalo, Luis Caldas, Netinho, Olodum, Ricardo Chaves, Sarajane, Timbalada e a própria Daniela Mercury. 

A cantora baiana – que até hoje é conhecida como a Rainha do Axé – conta que sentiu uma forte emoção ao ver o documentário. “Subi no trio (elétrico) com 15 anos. Então, praticamente, 99% das imagens eu já tinha visto, estavam na minha cabeça. A sensação é como se essas imagens estivessem saindo da minha cabeça e entrando na tela. É quase como se eu estivesse sonhando. Então, para mim, não foi só assistir, foi reviver tudo”, descreve Daniela, aos 51 anos. Axé: Canto do Povo de Um Lugar está na programação da 40.ª Mostra e será exibido novamente nesta segunda, 31, às 15h30, no Reserva Cultural. Daniela homenageia também o axé no seu show O Axé, A Voz e O Violão, registrado em CD e DVD – que serão lançados numa apresentação da cantora em São Paulo, no próximo dia 8.

Na plateia do cinema, Daniela Mercury não conseguiu segurar a emoção. Sorriu, se emocionou, bateu palmas, chorou de saudade ao ver na tela amigos que já se foram. Assistir ao documentário Axé: Canto do Povo de Um Lugar, que está na 40.ª Mostra, foi uma experiência catártica. “Lembrar que eu, minha irmã Vânia Abreu, Netinho fazíamos barzinho na mesma época, lembrar os caminhos de cada um, as escolhas de cada um está muito vivo na minha memória, mas veio com sensações: me emocionei; de vez em quando, sentia uma certa angústia, como se estivesse naquela época: o que vai acontecer, aquela insegurança de quem começa a carreira, de quem não sabe se o que está apostando vai ou não dar certo, ou se é isso mesmo que se quer, porque a coisa mais difícil é isso, é saber o que a gente quer”, diz Daniela. 

A cantora conta que concedeu quatro horas de entrevista para o documentário. Assim, espontaneamente. “Tinha um roteiro na minha cabeça.” E achou interessante o fato de o diretor baiano Chico Kertész ter usado suas falas também na narração, ajudando a reconstruir a história do axé. “Está todo mundo retratado ali, com mais ou menos o mesmo tempo. Acho que é um documentário muito legítimo e o resto fica por conta do público, de olhar para aquilo, de perceber quem contribuiu em quê, quem foram os criadores, o que cada um trouxe para esse universo. É uma documentação sem julgar ninguém”, observa. 

Ao vivo. Além de participar do documentário, Daniela Mercury presta seu próprio tributo ao gênero musical no show O Axé, A Voz e O Violão, que deu origem agora a CD e DVD (uma coprodução do selo Páginas do Mar com o Canal Brasil e distribuição da gravadora Biscoito Fino). A gravação foi feita no Teatro Castro Alves, em Salvador, um templo sagrado para a cantora, em novembro do ano passado. No projeto, Daniela ousou. Subverteu o axé, tirando-o da rua e o colocando sobre o palco de um teatro. Também o deixou desnudo, sem guitarra elétrica, baixo, percussão, teclado: apenas com voz e violão. 

Isso não significa que se vê, enfim, Daniela sentada num banquinho, com o violão em punho, sossegada. Pelo contrário: ao lado do violão de Alexandre Vargas, ela se encarrega da voz, mas preenche também o palco com sua dança, que, às vezes, ganha nuances de atuação. “Talvez, por eu ser bailarina, ter história de 42, 43 anos no palco – fiz teatro infantil, amador, de rua –, nunca me apertei com nada, nunca um lugar me intimida. O artista está sempre se provocando. Se eu fosse artista plástica, eu também pintaria o cenário, se eu tocasse bem um instrumento – eu toco só para compor –, eu talvez estivesse em algum momento ali tocando. Acho que poder usar muitas formas de expressão é muito bom.” 

Ela estreou seu show O Axé, A Voz e O Violão em São Paulo, em julho do ano passado. Desde aquela época, o repertório dessa turnê passa por suaves ajustes – ele que mescla músicas nucleares da carreira dela, como O Canto da Cidade, Ilê Pérola Negra, O Mais Belo dos Belos e Nobre Vagabundo, e canções que fazem parte de sua formação como cantora, como Cálice e O Bêbado e a Equilibrista. “Uma das características do gênero é a extrema proximidade com o público. Comecei a turnê com uma sequência, fui testando músicas, fiz algumas modificações, mas principalmente de ordem delas no show”, ressalta ela. 

“Porque estava acontecendo uma coisa muito natural do axé: na terceira, quarta música, eu começava a cantar canções mais animadas, que têm resposta do público imediata, de palmas e de canto. O canto é muito bem-vindo, as palmas também, mas elas não param até o fim e a gente estava com muita dificuldade. Dentro de um contexto de voz e violão, não se tem potência para dialogar com as palmas o tempo inteiro. Eu não quis tolher o público, porque acho maravilhoso que ele se manifeste. Então, fiz uma mudança sutil do repertório, para ele ficar um pouco mais tranquilo no começo e, a partir do meio para o fim do show, passar a ficar mais solto para o público poder se manifestar. A espontaneidade do público tem de existir. A nossa também, mas a gente tem um limite que é o violão”, completa a cantora, que continua a intercalar as canções com histórias pessoais que ela compartilha com a plateia. 

Daniela retorna com o show O Axé, A Voz e O Violão a São Paulo, no dia 8 de novembro, às 21h, no Teatro Porto Seguro (Al. Barão de Piracicaba, 740 – Campos Elíseos, tel. 3226-7300; ingressos de R$ 100 a R$ 150), agora para lançar o CD e DVD. “Fiz (o projeto) pensando nos 30 anos do axé, mas não sabia que vinha um documentário por aí. Então, são dois olhares sobre nós. É muita emoção. É documentação de vida. É massa!”

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