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'Convergente', terceiro filme da série 'Divergente', é recheado de ação

Longa traz os atores Shailene Woodley e Theo James no elenco

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Luiz Carlos Merten,
O Estado de S.Paulo

10 Março 2016 | 04h00

Desde que entrou para a lista de mais vendidos do The New York Times, em 2011, a série de livros Divergente, de Veronica Roth, já ultrapassou a marca de 34 milhões de exemplares vendidos. Somente no dia da estreia do primeiro filme, em 2013, as vendas bateram 455 mil livros, quebrando o recorde da Katherine Tegen Books - HarperCollins Publishers. É um patamar quase impossível de ser superado – quase. A série Divergente está terminando e quem garante que não venha a ser substituída por outra que venda mais ainda? O opus final chega nesta quinta aos cinemas brasileiros. Estreia nesta quinta, 10, em 1.023 salas, a primeira metade de A Série Divergente: Convergente.

Como já ocorreu com Jogos Vorazes, o episódio final da trilogia foi dividido em duas partes e o fim, fim mesmo, de Convergente chegará aos cinemas em junho de 2017. Estamos falando de números. Tem gente que se aborrece. Falemos de qualidade estética. Claro que a afirmação a seguir será objeto de controvérsia, mas a série Divergente é melhor que Jogos Vorazes. Até Maze Runner, outra série adaptada de livros, é melhor. Jogos Vorazes beneficiou-se enormemente da persona da atriz Jennifer Lawrence, que fez a protagonista, Katniss. Mas a estética dos filmes, com aqueles jogos, era uma vulgarização das encenações nazistas.

Só isso já devia bastar, mas, para complicar, havia um romance em Jogos Vorazes, como há em Convergente/Divergente. Para justificar a escolha final de Katniss, o pretendente mais forte fazia tudo errado no episódio final, justificando que a heroína se afastasse dele. O fim era anticlimático total – o horror, o horror –, mas os fãs gostaram. Robert Schwendke, que já dirigiu o 2 de Divergente, Insurgente, não incorre nesse erro. Rememorando – todos esses livros e filmes criam futuros distópicos em que jovens pegam em armas para resgatar a humanidade e acabar com a tirania. Na ficção de Divergente, a humanidade está dividida em facções, estimuladas a combater entre si. Desde o nascimento, as pessoas estão destinadas a um papel na vida social. Como Tris, Shailene Woodley descobre ser uma divergente, ou seja, não se enquadra em nenhuma facção. Torna-se potencialmente perigosa. E rebela-se com o amigo Quatro e outros divergentes para tentar descobrir o que existe além do muro que cerca o mundo, tal como o conhecem.

As descobertas do novo filme sucedem-se num ritmo avassalador. E tudo, até a ‘pureza’ de Tris, é parte de um experimento que ‘David’ (Jeff Daniels) vai tentar preservar a ferro e fogo. Mais não se pode avançar, sob risco de spoiler – mas, por se tratar de um experimento, nada é o que parece ser e é bom o espectador se preparar para as sucessivas reviravoltas que mudam a paisagem como o comportamento dos personagens. Quatro/Theo James é filho de Evelyn/Naomi Watts e, quando o filme começa, ela está recorrendo a julgamentos sumários para consolidar seu poder sobre as facções. Os conflitos familiares multiplicam-se. Tris descobre uma mensagem da mãe que a induz a erros no mundo além-muro. Traída pelo irmão – Caleb/Ansel Elgort, com quem Shailene dividiu a cena em A Culpa É das Estrelas –, ela vai lhe dar uma chance, mesmo que de forma não muito calorosa. “É o que a gente costuma fazer pela família”, diz ao irmão, que vai lhe devolver a frase. As reviravoltas rendem um relato de muita ação, Shailene e James têm química, mas nada disso ajudaria se o diretor Schwendke não tivesse pulso (e inteligência visual).

Schwendke tem 47 anos e iniciou-se na Alemanha. Um de seus primeiros filmes era sobre portador de câncer nos testículos – doença que o diretor enfrentou na vida e o fazia sentir-se ‘diferente’. A Mulher do Viajante do Tempo, com Eric Bana e Rachel McAdams, foi seu passaporte para Hollywood. O filme misturava ação e romance num relato de ficção científica. Jogava com tempo e espaço. Tudo isso, de alguma forma, impulsiona Convergente. A rigor, o filme não tem começo nem fim. É um ‘durante’ bem movimentado à espera do desfecho que só virá daqui a mais de um ano.

Mostra no CCSP dá segunda chance a obras importantes

A partir desta quinta, 10, e pelas próximas duas semanas, o Centro Cultural São Paulo vai apresentar a mostra Breves e Inéditos, formada por filmes importantes - alguns premiados - que passaram brevemente pelo mercado de salas ou foram lançados diretamente em DVD e Blu-Ray. 

São obras como Winter Sleep, de Nuri Bilge Ceylan, que ganhou a Palma de Ouro de 2014; 

Foxcatcher - Uma História Que Chocou o Mundo, de Bennett Miller, vencedor do prêmio de direção em Cannes, também em 2014; e dois outros filmes apresentados no maior festival do mundo no ano passado - Sicario - Terra de Ninguém, de Denis Villeneuve, que movimentou a seleção oficial com sua história violenta de combate ao tráfico na fronteira mexicana, e a primeira parte de As Mil e Uma Noites, de Miguel Gomes, que integrou a seleção da Quinzena dos Realizadores.

Curador da mostra, Célio Franceschet explica seu conceito - “Todos os anos, o número de filmes produzidos aumenta com uma velocidade proporcional ao aperfeiçoamento e ao barateamento da tecnologia digital, permitindo o acesso e reduzindo os custos de produção de um filme. Oposta a esta matemática está a do mercado exibidor, com um crescimento muito menor. As próprias distribuidoras ficam à mercê das janelas de exibição para aumentar ou diminuir a sua cartela de filmes. Por isso, a grande questão hoje, principalmente para os independentes, é - como exibir? Em meio às novas plataformas de exibição, o cinema ainda é espaço privilegiado para o realizador, e a primeira vitrine para o filme.”

Daí a ideia de resgatar, a preços populares - R$ 1 -, filmes que não tiveram muita chance no mercado. Outros títulos da programação - Uma Nova Amiga, de François Ozon; Love, de Gaspar Noë, com suas cenas de sexo em 3D; e Um Pombo Pousou num Galho Refletindo Sobre a Existência, de Roy Andersson.

 

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