Malpaso Productions
Malpaso Productions

Clint Eastwood conta como usou personagens reais em '15h17 - Trem para Paris'

Filme - que será lançado nos Estados Unidos em 9 de fevereiro e, no Brasil, em 8 de março - foi baseado no livro 'The 15:17 to Paris: The True Story of a Terrorist'

Antonio Martín Guirado, EFE

01 Fevereiro 2018 | 18h30

LOS ANGELES - Clint Eastwood apresentou seu novo filme, 15h17 - Trem para Paris, uma história calcada no realismo e na naturalidade dos heróis reais que, em 21 de agosto de 2015, detiveram um terrorista e evitaram um possível massacre no interior de um trem.

+++ Crítica: Clint Eastwood cria, em 'Sully', uma epopeia sobre o herói e outros que fazem a diferença

“Achei a história fascinante quando a li em um jornal, e foi fascinante também conhecê-los pessoalmente há dois anos. O que leva uma pessoa a agir assim heroicamente, um pouco idiota, numa situação como essa?”, questionou o famoso cineasta, durante uma entrevista coletiva, realizada em Los Angeles, na semana passada. “Foi isso que mais me atraiu. Queria colocar essa questão e narrar a história com grande realismo, por isso preferi que eles próprios atuassem no filme”, acrescentou o diretor sobre o seu 36.º longa-metragem.

+++ Tom Hanks interpreta piloto herói em novo filme de Clint Eastwood

Em agosto de 2015, os jovens americanos Anthony Sadler, Alek Skarlatos e Spender Stone evitaram uma tragédia em um trem que rumava de Amsterdã para Paris. O terrorista, o marroquino Ayoub El Khazzani, embarcou em Bruxelas com um fuzil Kalashnikov, nove carregadores, uma pistola automática e uma guilhotina de cortar papel, e feriu duas pessoas antes de ser dominado pelos jovens e depois preso.

+++ Em Cannes, Clint Eastwood não descarta voltar a fazer 'western'

O filme - que será lançado nos Estados Unidos em 9 de fevereiro e, no Brasil, em 8 de março - foi baseado no livro The 15:17 to Paris: The True Story of a Terrorist, A Train and Three American Heroes, escrito pelos próprios heróis, com a ajuda do jornalista Jeffrey E. Stern, que ilustra como a amizade e a história dos três jovens - dois deles com passado militar - influíram no caso.

+++ Filme de Clint Eastwood é retirado de cinemas do Japão

“Não sei o que transforma uma pessoa em herói. É disso que a história trata. Vivemos em um mundo e uma sociedade em que nunca se sabe o que pode ocorrer com você. A gente depara com alguém estranho na rua e ele o mata”, ressaltou Clint, de 87 anos, lembrando que o ataque terrorista de Barcelona no mês de agosto de 2017 ocorreu no momento em que ele realizava o filme. 

+++ Próximo filme de Clint Eastwood deverá ser sobre voluntária sequestrada na Somália

“Acontece algo assim e você não pode fazer nada. Mas nesse caso, foram circunstâncias nas vidas desses jovens que atingiram seu ponto culminante naquele momento no trem. E todos agiram de maneira extraordinária”, disse ele.

“É terrível o que vem sucedendo em todo o mundo. É uma loucura e muito deprimente quando você pensa a respeito, mas não pode se deixar afetar. Por isso, acho que valia a pena contar essa história com final feliz”, acrescentou ele.

Clint Eastwood disse ter refletido muito sobre como ele próprio teria reagido em uma situação como essa. “É algo que faz pensar na sua própria vida. Não sei se agiria do mesmo modo. Para muitos, a religião é um fator. Há pessoas que se tranquilizam ao pensar que Deus, ou um anjo guardião, as protege. Outros acham que esse é o seu destino”, afirmou ainda.

Seja como for, o fato é que a arma do terrorista falhou e Spencer não titubeou em enfrentar o atirador até conseguir dominá-lo com a ajuda dos amigos. “No trem, havia centenas de passageiros e o terrorista tinha munição suficiente para matar umas 200 pessoas, mas ninguém morreu. Na verdade, foi uma façanha e tanto.”

Clint Eastwood, que conquistou o Oscar de melhor filme e melhor diretor pelos filmes Menina de Ouro (2004) e Os Imperdoáveis (1992), com esse novo longa dá continuidade aos dois últimos que dirigiu, Sully - O Herói do Rio Hudson (2016) e Sniper Americano (2014), também inspirados em fatos reais.

No caso de 15h17 - Trem para Paris, a dificuldade era conseguir uma atuação verossímil da parte dos heróis. “O objetivo era fazer com que ficassem relaxados e serem eles próprios no filme. Minha tarefa era ambientá-los e ir direto ao ponto, sem adornos. Não queria que dominassem as técnicas de interpretação; para mim, bastava que se fixassem no profissionalismo do resto do elenco e se deixassem levar.”

Além disso, Clint também presta uma homenagem a si mesmo, incluindo em uma cena um pôster do filme Cartas de Iwo Jima (2006) dirigido por ele. “É o meu momento Hitchcock”, brincou ele, referindo-se à costumeira aparição do cineasta britânico nos próprios filmes. Ao ser indagado se pensou em fazer uma pequena aparição no filme, ele respondeu: “Já tenho idade para saber onde devo me meter ou não”. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.