Tony Gentile/Reuters
Tony Gentile/Reuters

Cineasta George Romero morre aos 77 anos

Diretor de 'A Noite dos Mortos-Vivos' lutava contra um câncer de pulmão

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

16 Julho 2017 | 19h25

George Romero, considerado o pai do cinema zumbi, morreu neste domingo, 16. Diretor de A Noite dos Mortos-Vivos (1968) e outros filmes do gênero, o cineasta tinha 77 anos e lutava contra um câncer de pulmão. Segundo o empresário de George Romero, Chris Roe, o cineasta morreu "em paz enquanto dormia".

"Ele morreu em paz enquanto dormia, depois de uma batalha curta mas agressiva contra um câncer de pulmão, e deixa para trás uma família amorosa, muitos amigos e um legado cinematográfico que continuará firme ao longo do tempo", declarou o agente de Romero ao site da revista Variety.

George A. Romero passou seus últimos anos desiludido com Hollywood. Tentava filmar, e não conseguia mais patrocínio - justamente ele, o pai dos filmes de zumbis. Não que os tenha inventado, porque já havia filmes de mortos-vivos nos anos 1940, mas não no seu estilo realista. Ele inventou o zumbi moderno e quem hoje se impressiona com Walking Dead é porque não viu direito A Noite dos Mortos-Vivos, o clássico de Romero, de 1968.

No Dicionário de Cinema, Jean Tulard diz que A Noite dos Mortos-Vivos colocou Romero no interior do “restrito círculo dos mestres de horror”. E acrescenta que ele conseguiu tornar verossímil a velha história de ressuscitados graças ao “contexto neorrealista”. Mais que de horror, o filme é 100% político. Nos seus mortos-vivos, Romero conseguiu metaforizar a luta por direitos civis na ‘América’ dos anos 1960. Seu cinema foi sempre assim, político. E por isso ele criticava Hollywood. “Quando fiz Terra dos Mortos, e foi meu filme mais caro, o dinheiro não estava na tela. Só os charutos que Dennis Hopper filmava no set e foram incorporados ao custo da produção saíram mais caro que todo A Noite dos Mortos-Vivos. Hollywood inflacionou-se a si mesma”, reclamava.

Romero continuou historiando os EUA através dos mortos-vivos. The Hungry Wives (1973), Zombie, Despertar dos Mortos (1978), Day of the Dead (1986), Terra dos Mortos (2005) etc. A cada cinco ou dez anos ele voltava ao tema para, de alguma forma, refletir sobre o que se passava no país. Como diretor, porém, não se limitou a contar histórias de zumbis. Incursionou pelo cinema de vampiros, mas Martin, de 1977, está mais para sátira social, embora seja puro ‘gore’. Garoto de 17 anos pensa que é vampiro, mas como não tem caninos desenvolvidos usa lâminas de barbear para sangrar suas vítimas. E, como participa com frequência de um ‘late show’ na rádio de sua pequena cidade, vira a celebridade local.

E Romero não parou por aí - em Comando Assassino, de 1988, macaco treinado para ser guia de um tetraplégico arrasta esse último a uma espiral de violência. Pior ainda - no sentido do horror -, foi seu experimento com o mestre italiano do ‘giallo’, Dario Argentino. Cada um dirigiu um episódio de Dois Olhos Satânicos, em 1990. No de Romero, O Caso do Sr. Waldemar, o cadáver de Harvey Keitel escapa do freezer para perseguir a mulher adúltera. Para quem curtia tanto emoções violentas, Romero, segundo a família, morreu pacificamente, ouvindo sua trilha preferida - a do clássico Depois do Vendaval, de John Ford, com John Wayne e Maureen O’Hara, de 1952.

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