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Cineasta Eduardo Coutinho é assassinado a facadas no Rio

Roberta Pennafort / RIO - O Estado de S. Paulo

02 Fevereiro 2014 | 16h 48

Segundo a polícia, Daniel Coutinho, filho do diretor, foi responsável pelo crime; mulher do cinesta está internada em estado grave

Atualizado às 22h

Maior documentarista em um século de história do cinema brasileiro, Eduardo Coutinho foi assassinado a facadas na manhã deste domingo, 2, em casa, no Rio, aos 80 anos. Segundo a polícia, ele foi atacado pelo próprio filho, Daniel, de 41, que em seguida tentou se suicidar. Com duas facas de cozinha, ele atacou também a mãe, Maria das Dores, de 62, internada em estado grave com duas facadas no peito e três na barriga. Daniel foi hospitalizado e está sob custódia da polícia; seu quadro, até a noite deste domingo, era estável.

Segundo amigos da família, Daniel tem problemas mentais, faz uso de remédios controlados e é dependente de drogas. De acordo com o delegado Rivaldo Barbosa, diretor da Divisão de Homicídios, que investiga o caso, após esfaquear o pai, ele bateu na porta de vizinhos e disse: "Libertei o meu pai, tentei libertar minha mãe, tentei me libertar, mas não consegui". Em seguida, voltou para o apartamento e se trancou. Segundo a polícia, a mãe teria conseguido se desvencilhar de Daniel e, trancada em um dos cômodos, acionou o outro filho do casal, Pedro, promotor de Justiça em Petrópolis, na região serrana do Rio.

Foi o próprio Daniel quem abriu a porta para a entrada dos bombeiros. O pai já estava morto. "Provavelmente ele estava em surto psicótico", acredita o delegado Barbosa.

O porteiro do prédio da família, na zona sul do Rio, ouviu gritos vindos do apartamento de manhã. Os bombeiros foram acionados às 11h48. Coutinho morreu em casa. Ainda não foi divulgado quantos ferimentos sofreu. Não há informações sobre velório e enterro. Quem está tomando as providências é o filho Pedro, que é promotor de Justiça na cidade de Petrópolis, na Região Serrana do Rio.

Amigos de Coutinho ouvidos pelo Estado contaram que Daniel tinha comportamento hostil, mas nenhum soube dizer se ele já havia agredido os pais. "Coutinho o colocava na equipe, levava para as filmagens, tentava ajudar, mas sempre dava confusão. Ele tem problemas mentais, usava drogas. Coutinho sofria com essa situação", disse a produtora Vera de Paula.

Zelito Viana, marido de Vera e produtor de Cabra Marcado para Morrer, obra-prima de Coutinho, falou ao telefone com ele semana passada, e nada lhe pareceu anormal. "Estou chocado com a violência. O que sei é que Daniel tomava muito remédio", revelou. "Coutinho estava empolgado com o lançamento em DVD da cópia restaurada de Cabra. Ele voltou a filmar no mesmo local e incluiria isso como extra."

O documentarista fumava muito e teve problemas de saúde por isso. No entanto, estava recuperado e focado em dois projetos, contou o crítico José Carlos Avellar: além do DVD de Cabra, um filme novo, que filmara no Rio e estava montando.

Coutinho filma desde 1966 e é conhecido por filmes como Cabra Marcado para Morrer, considerado sua obra-prima, Edifício Master e Jogo de Cena.

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