Cinearte passa por reforma e vira Cine Bombril

O primeiro cinema do Brasil com cheiro próprio. Assim será o novo Cine Bombril, que substitui a partir de 21 de outubro o antigo Cinearte, cinema tradicional do Conjunto Nacional, administrado por Adhemar Oliveira e Leon Cakoff, que há tempos vem correndo o risco de fechar suas portas. A proposta parece brincadeira. Mas não é. A Bombril, que investiu R$ 3,2 milhões na reforma da sala, contratou uma consultoria em aromatização para estudar um perfume que será emblemático da sala. ?Em se tratando de uma marca como a Bombril, ter um cheiro próprio não é supérfluo?, comentou Manoel Francisco Pires da Costa, diretor de relações com investidores da empresa, durante apresentação do novo projeto ontem, em São Paulo. As novidades vão além. O espaço ganha tudo novo: poltronas, sistema de som, lounge, telas. Além da nova proposta e novo nome, a reforma do Cinearte inicia o que se pode chamar de processo de revitalização cultural do Conjunto Nacional, que perdeu também o espaço do antigo Cine Astor e vinha perdendo público para outras salas reformadas da região, como o Belas Artes, o Bristol e o Espaço Unibanco, também administrado por Oliveira e Cakoff. ?Chegamos a pensar em fechar o Cinearte, mas não o fizemos graças à família proprietária do espaço, que chegou até a deixar de nos cobrar o aluguel?, conta Oliveira. ?Fico particularmente feliz porque o público tem muito carinho pelo Cinearte. Em 2003, fizemos até uma vigília pela sala e arrecadamos cinco mil assinaturas pela ?salvação? do único cinema que restou no Conjunto?, conta a advogada e administradora do Conjunto Nacional, Vilma Peramezza. Planejada em tempo recorde, a reforma do Cinearte foi proposta há pouco mais de dois meses à Bombril. ?Foi perfeito. A Bombril está salvando este patrimônio paulista. Até agora, contamos com ajuda do público, do Conjunto Nacional, mas não encontrávamos um patrocinador?, comenta Cakoff. Adhemar alerta para o projeto de lei criado pelo ex- vereador Nabil Bonduki, que prevê incentivo fiscal para as salas de rua da cidade: ?Esta lei irá beneficiar cinemas como o Cinearte, mas até agora nada de concreto foi feito. Está tudo parado na Câmara Municipal esperando aprovação.? Criado pela arquiteta Solange Libman, com assessoria da FutureBrand, o projeto de reformulação do espaço reduziu o número de lugares das salas (120 a menos na sala 1 e 50, na sala 2). ?A sala 1 ficou com 300 lugares e a sala 2, com 100. Isso vai dar mais conforto para o público, que vai ganhar ?poltronas executivas (com 64 cm de eixo)?, explicou Oliveira. ?A sala 2 também vai se chamar Sala Brasil e dar prioridade para filmes nacionais e latino-americanos?, acrescenta Pires da Costa. ?As salas terão sistema duplo de projeção, em película 35mm e digital, em parceria com a Rain Network. O sistema de som será totalmente reformado e usaremos o Dolby Digital?, continua Cakoff. Seguindo a tendência, o Cine Bombril terá poltronas numeradas e contará com a figura do lanterninha. ?Haverá espaço para pocket shows no lounge e obras de arte, como esculturas de Anita Kaufmann e painéis de Gabriela Costa e Chris Bierrenbach. Além disso, estamos bem em frente à Livraria Cultura. Tudo isto faz parte do nosso projeto de sinergia entre as artes. ?, explicou Oliveira. O espaço ao lado do Cinearte, onde funcionava o Cine Astor, atualmente é alugado para eventos e festas, e irá abrigar em breve a filial de uma famosa casa de shows.

Agencia Estado,

06 Outubro 2005 | 11h08

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