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Chris Pine interpreta um capitão da Guarda Costeira em 'Horas Decisivas'

Filme se passa no ano de 1952

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Cindy Pearlman - THE NEW YORK TIMES,
O Estado de S.Paulo

10 Fevereiro 2016 | 03h00

Chris Pine é mais conhecido por representar um homem do futuro, mas se vê como alguém do passado. “Adoro os anos 1940 e 50”, diz o ator de 35 anos, olhando pela janela em Hollywood Hills. “Amo o heroísmo, o estilo das roupas, o visual das mulheres. Amo os carros e a iluminação âmbar dos filmes do período. Talvez tenha nascido na época errada”, comenta também Pine. 

Ou talvez tenha passado tempo demais no set do filme Mulher Maravilha, que vem por aí, ambientado no fim da Primeira Guerra Mundial, a Grande Guerra, como era então chamada. Ele faz o papel de um oficial chamado Steve Trevor, contracenando com a estreante Gal Gadot como uma amazona guerreira.

“Sou grosso, cínico e alguém que viu a natureza brutal da civilização moderna”, garante Pine, vestindo jeans negro, camisa preta de manga longa e usando cabelos mais compridos que o normal, que caem no rosto quando ele se senta para a entrevista num hotel em West Hollywood. “Sou um cara mundano, charmoso na Primeira Guerra. Tivemos cenas com 500 extras em trajes de época. Não poderia estar mais feliz.”

O ator também faz um personagem do passado em Horas Decisivas, com estreia prevista para o dia 18 de fevereiro no Brasil. Baseado numa história real, o filme é sobre uma missão quase impossível de resgate na costa de Cape Cod, depois que dois petroleiros são destruídos durante um nevoeiro, em 1952. Pine é Bernie Webber, capitão da guarda costeira que pilota um bote de resgate de madeira ridiculamente pequeno. 

Olhando para trás, ele acha espantoso até que o longa de US$ 80 milhões tenha sido feito. “Um filme sem ninguém usando capa, sem continuação, é realmente raro”, afirma Pine, que conhece o negócio das franquias graças a seu papel de Capitão James T. Kirk na última leva da série Jornada nas Estrelas. 

“Horas Decisivas me lembra muito o filme Incontrolável (2010)”, ressalta Pine, que coestrelou com Denzel Washington esse drama baseado na história real de um trem desgovernado. “É um filme que vira thriller na hora do resgate. O restante é uma história sem complicação, de uma elegância singela, a de homens comuns fazendo coisas extraordinárias.”

O ator pode ser o herói gigantesco de Jornada nas Estrelas, mas o diretor de Horas Decisivas, Craig Gillespie, recorda que ele foi também a escolha ideal para representar Webber. “Tem a característica do herói improvável de James Stewart”, disse o diretor em outra entrevista. “Sabe como representar o cara que desconhece o que foi feito para salvar vidas.”

Pine não chegou a conhecer o verdadeiro Webber, morto em 2009, mas viu a gravação de uma entrevista que ele deu a repórteres locais anos depois do incidente contado no filme. “Era um homem falando para um jornal de cidade pequena”, lembra o ator. “Um cara entediado por falar de si mesmo, sem nada de surpreendente. Acreditava em Deus, na família e adorava o oceano.”

O extrovertido Pine não parece nada com o calado Webber, mas vê no herói da guarda costeira traços com os quais se identifica. “Minhas marcas no filme são medo e ansiedade, e sei muito dessas duas emoções”, diz Pine. “Bernie vivia de olhos arregalados, era inseguro e ignorado. Conheço também esses sentimentos. Tudo que fiz foi aumentar o volume.”

“Bernie cresceu numa família de pai autoritário e irmãos que estiveram na guerra”, continua Pine. “Ele não esteve. Provavelmente, não tinha a força do pai. Sentia-se sempre na sombra - era o cachorrinho mal-amado. Pelo menos, essa foi minha análise freudiana.”

O filme, claro, não é de exaltação do personagem. Pine passou muito tempo da filmagem num tanque de água com três metros de profundidade, chacoalhado, virado de ponta-cabeça e afundado por uma implacável máquina de fazer ondas, sob incessante chuva artificial. 

Há uma história de amor, contudo, envolvendo Miriam (Holliday Grainger), namorada de Webber, que passa os principais momentos do filme em terra firme, esperando que ele saia vivo. Antes da tempestade, os dois têm até uma rápida oportunidade de dançar. 

“A ideia da dança foi reproduzir o balanço de um navio nas ondas”, informa Holliday. “Passamos dias e dias aprendendo a dançar de um jeito específico, mas no dia da filmagem é claro que dançamos de nosso modo. Foi muito divertido dançar com Chris Pine.”

Nascido em Los Angeles, Pine é a segunda geração de atores na família. Pai e mãe, Robert Pine e Gwynne Gilford, são atores. Começou a carreira na televisão, com pequenos papéis nas séries Plantão Médico (2003) e O Tutor (2003), estreando no cinema em O Diário da Princesa 2 - O Casamento Real (2004). 

Contracenou com Lindsay Lohan em Sorte no Amor (2006), mas só chegou ao primeiro time quando J.J. Abrahams o escalou como Kirk na refilmagem de Jornada nas Estrelas (2009). Foi sucesso no papel, que repetiu em Além da Escuridão - Star Trek (2013) e em Star Trek Beyond, programado para estrear ainda este ano. 

Ele vem tendo papéis de destaque em filmes como Incontrolável, Guerra É Guerra (2012), Bem-Vindo à Vida (2012), Operação Sombra - Jack Ryan (2014) e Quero Matar Meu Chefe 2 (2014). Começou até a cantar, e bem, como príncipe de Cinderela em Caminhos da Floresta (2014). 

Antes que a Enterprise entre de novo em órbita, ele será visto com Jeff Bridges e Ben Foster no drama Comancheria, sobre um pai divorciado e seu irmão ex-presidiário que, com um perigoso plano, tentam salvar a fazenda da família no Texas. 

Quando não está trabalhando, Pine conta que leva uma vida tranquila em Los Angeles. Acima de tudo, acha que tem sorte. “Adoro minha profissão. Estou entre os poucos atores que trabalham regularmente, graças a Deus. Tenho grandes sucessos, conheço gente extraordinária e sou bem pago. Não tenho queixa.” / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

 

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