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Bill Nighy explica os motivos que o levaram a fazer 'O Exótico Hotel Marigold 2'

Cena em que ele leva Judi Dench na garupa da moto tirou seu sono

Elaine Guerrini, Especial para O Estado de S. Paulo

07 Maio 2015 | 03h00

Assim que Bill Nighy chega à suíte do Soho Hotel de Londres, onde a reportagem do Caderno 2 o aguarda para entrevista, o ator de 65 anos não esconde suas idiossincrasias inglesas. O vencedor do Bafta de coadjuvante pela comédia Simplesmente Amor (2003) pede logo o tradicional chá preto, servido com leite. “Além das caixas de chá, quando viajo ao exterior, sempre levo marmite na mala", diz Nighy, referindo-se à pasta feita com extrato de levedura, um alimento popular no Reino Unido.

Seu último destino foi Jaipur, na Índia, país que visitou pela segunda vez (um pouco a contragosto) para rodar O Exótico Hotel Marigold 2. A continuação foi quase uma obrigatoriedade, assim que o primeiro filme sobre a trupe de aposentados, realizado com US$ 10 milhões, arrecadou mais de US$ 135 milhões mundialmente, em 2012. “Se pudesse escolher, nunca visitaria lugares de clima quente. Como todo inglês da minha geração, odeio tirar o paletó. Não fico bem sem ele. Gosto de me sentir seguro e institucionalizado”, conta o ator, rindo.

Nascido em Caterham, no condado de Surrey, onde se formou na Guildford School of Acting, Nighy nunca se imaginou filmando sequências. A franquia Piratas do Caribe não contaria, segundo ele, pelos filmes O Baú da Morte (2006) e No Fim do Mundo (2007) terem sido concebido juntos, rodados um após o outro.

“Revisitar um personagem é uma bênção para um cara como eu, que adora fazer as coisas do mesmo jeito. Odeio surpresas”, afirma, lembrando a sua “rotina maçante” longe dos sets. “Acordo às 10 h e leio a seção esportiva do jornal enquanto tomo café da manhã, sem pressa. Em seguida, saio à caça de novidades na livraria do meu bairro (Mayfair, um dos mais sofisticados de Londres) e termino num coffee shop, tomando café bem devagar. À noite, vejo partida de futebol na TV.”

Ao voltar a Jaipur, o ator pediu para ficar alojado no mesmo hotel da primeira vez, o Rambagh Palace. De preferência, no mesmo quarto, por estar localizado num “canto mais silencioso” do estabelecimento. “Quando viajo, quase sempre a trabalho, fico nos mesmos hotéis por gostar da sensação de familiaridade. Do contrário, fico muito confuso”, diz Nighy, um habitué do hotel L’Ermitage, de Los Angeles, do Le Bristol, de Paris, e do Carlyle, de Nova York. “Costumo incluir uma segunda-feira na hospedagem só para ouvir Woody Allen tocando clarineta no Carlyle. Está aí um cara tão previsível quanto eu.”

Na moto. Uma cena do novo filme, em que o ator pilota uma motocicleta com Judi Dench na garupa, tirou o seu sono. “Como sou péssimo conduzindo o que quer que seja, pensei que pudesse matá-la.” Filmar com Judi, ícone do teatro e do cinema inglês, foi o que motivou Nighy a aceitar o convite do diretor John Madden para o primeiro filme.

E não necessariamente a ousadia da proposta, ao dar aura mais colorida à velhice, colocando em primeiro plano os anseios e os apuros de turma da terceira idade num refúgio na Índia. Na continuação, o personagem de Nighy, Douglas Ainslie, está finalmente livre para viver seu romance com Evelyn (Dench), depois que a esposa azeda e controladora, Jean (Penelope Wilton), resolve voltar à Inglaterra.

“Gosto da ideia do amor sereno que nasce entre pessoas experientes”, afirma Nighy, separado desde 2008 da atriz Diana Quick, sua companheira por 27 anos. “Ou será que devo deixar de existir só porque passei dos 60 anos? Numa sociedade voltada para quem gasta mais, infelizmente nós somos tratados como pessoas descartáveis pelo simples fato de consumirmos menos. Somos odiados por nossa sabedoria, ao percebermos que precisamos de muito pouco para viver.”

 

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