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Ben Affleck fala sobre matemática e lutas, requisitos para o filme 'O Contador'

Ator interpreta Christian, um contador com Asperger

Entrevista com

Ben Affleck

Mariane Morisawa, ESPECIAL PARA O ESTADO

20 Outubro 2016 | 07h38

LOS ANGELES - Ben Affleck parece estar em todas as partes. Ele apareceu pela primeira vez no uniforme do Homem-Morcego em Batman vs Superman: A Origem da Justiça e está terminando de rodar a próxima aventura do personagem, Liga da Justiça. Está finalizando seu quarto longa-metragem como diretor, A Lei da Noite, a ser lançado em fevereiro no Brasil. E estrela O Contador, de Gavin O’Connor, que estreia nesta quinta-feira, 20, no Brasil, um filme tão incomum que é de difícil definição. Affleck interpreta Christian, um contador com Asperger - síndrome no espectro do autismo - que trabalha para mafiosos do mundo todo, maquiando números e assassinando inimigos se necessário. Affleck conversou com o Estado.

Você costuma fazer muitos personagens solitários. Por quê?

 

Ele é particularmente solitário porque, devido ao Asperger, tem mais dificuldade de se conectar socialmente. Seu pai o ensinou que as pessoas iam temê-lo por ser diferente e acabou tornando-o uma pessoa altamente treinada e agressiva. Ele se isolou do mundo, mas o interessante é que ele quer se conectar apesar dos obstáculos.

Fez pesquisa?

Gavin e eu nos encontramos com muitas pessoas no espectro autista, fomos a instituições, fizemos pesquisas. Queríamos ser respeitosos.

Preparou-se fisicamente?

Tinha de estar em boa forma se quiséssemos fazer as lutas de forma convincente. É um estilo muito específico de arte marcial, o “silat”, único, cinematográfico, espetacular, mas também realista para o personagem. Batman faz muita coisa fisicamente impossível. Essas lutas não eram CGI.

Era bom de matemática?

Era OK. Não sou gênio. Passei nas minhas aulas de matemática. Mas a luta é mais difícil, você tem de fazer. A matemática, dá só para fingir que você sabe a resposta. 

Você acredita que, hoje em dia, ser diferente é mais aceito?

 

Estamos mais conscientes de nossa diversidade nacionalmente e globalmente. E percebemos a força de ter vários tipos de pessoas diferentes. Quem está no espectro autista tem algumas dificuldades, mas também muitas vantagens. Para mim, o filme celebra nossas diferenças e as aceita, observando-as sem julgamentos.

Você interpreta um personagem perfeito para um ator se exibir. Mas sua atuação é muito discreta.

Eu tento não pensar em como as pessoas vão reagir. Só penso na integridade do que estou fazendo. Não estava interessado em fazer uma performance desonesta. Queria ser realista.

O que te atrai mais no mundo do crime?

Não sei. Obviamente, para mim, era atuar ou uma vida no crime (risos). Claro que existe um drama inerente no comportamento criminoso, e num filme é preciso ter drama. Queremos pessoas quebrando as regras, as tradições, desafiando umas às outras.

 

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