Divulgação
Divulgação

'Axé' não é uma celebração, mas um filme com sabor de revolução

Documentário de Chico Kertész surpreende e faz a plateia da Mostra de Cinema dançar

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

31 Outubro 2016 | 04h00

Com estreia nas salas no começo de janeiro, Axé – O Canto do Povo de Um Lugar tem feito dançar o público da Mostra. Na quinta, 20, teve sessões em todo o Circuito Spcine. Nesta segunda, 31, passa pela última vez no evento, no Reserva Cultural. Em sua entrevista, Daniela Mercury faz uma observação pertinente.

Diz que é um documentário muito legítimo – e o resto fica por conta do público. “Do olhar de cada um, de perceber quem contribuiu em quê, quem foram os criadores, o que cada um trouxe para esse universo. É uma documentação sem julgar ninguém.” Daniela, Ivete (Sangalo), as estrelas. Luiz Caldas, entre os que começaram tudo.

Associado ao fenômeno carnaval, o axé durante muito tempo foi sinônimo de brega. O diretor Chico Kértesz, com base em material de arquivo e muitas entrevistas, não apenas conta uma história do axé. É gênero, é ritmo? É movimento, uma atitude. Virou ferramenta de afirmação da identidade. Negritude, mas não necessariamente, ou apenas. Uma política do corpo. O hedonismo, a baianidade.

Na Mostra também foi possível ver o extraordinário Pitanga, de Beto Brant e Camila Pitanga, sobre o pai dela, o ator Antônio Pitanga. Outro canto do mesmo lugar, a Bahia, celebrada por um de seus atores emblemáticos. São filmes que nos identificam na tela. Axé, o filme, conta também uma história das mudanças comportamentais e de como a TV, o jornal e o cinema refletiram isso.

Daniela fez tremer o Masp, parou a Paulista. Sarajane virou paixão platônica do lendário Velho Guerreiro, Chacrinha. Luiz Caldas foi o pai, Ivete, a rainha. O filme é uma celebração. Brega, não. Chico Kertész dá ao axé um sabor de revolução.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.