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Atriz lança continuação de ‘Kick Ass’ e se prepara para nova versão de ‘Carrie: a Estranha’

Pedro Caiado - Especial para o Estado/Londres - O Estado de S. Paulo

22 Outubro 2013 | 19h 29

Aos 16 anos, Chloe Moretz afirma que faz 90% de suas cenas de ação

Em seu próximo filme, a jovem atriz Chloe Moretz viverá a famosa personagem de Stephen King em Carrie: A Estranha. Apesar de ter apenas 16 anos de idade, e mastigar chiclete durante a entrevista, Chloe já pode ser considerada uma veterana. Com 6 anos, ela já realizava testes quando sua família se mudou de Atlanta para Los Angeles. Aos 8, ela coestrelou o filme Horror em Amityville com Ryan Reynolds. De lá para cá, a jovem vem se destacando por se juntar a projetos em que poucos da sua idade teriam coragem de se aventurar – geralmente restritos para maiores de 18.

Mas, Chloe Grace Moretz se acha normal como qualquer outra jovem de sua idade e defende que agora está mais segura. “Você tem que saber o que quer e o que quer ser. Especialmente se for menina. Eles dão muito mais chance para os meninos. Esse negócio te faz ficar mais forte”, disse a pequenina atriz, sorridente e falante, em entrevista ao Estado enquanto promovia Kick Ass 2, em Londres.

O novo filme segue a fórmula que fez do primeiro um sucesso. Em Kick Ass, baseado nos quadrinhos do escocês Mark Millar (ex-Marvel), o mundo se espantou com uma gama de personagens politicamente incorretos. Sua personagem Mindy (também conhecida como Hit Girl) desfilava palavrões e impressionante talento com armas de fogo e golpes para lá de violentos. Tudo com o aval de seu pai, interpretado por Nicolas Cage. O filme agradou, fazendo sucesso no mercado de DVD.

Chloe seguiu a trilha de personagens esquisitos com o sangrento Deixe-me Entrar (adaptação do filme sueco), e Sombras da Noite (de Tim Burton) – vale citar que houve um papel “normal” no ótimo Hugo, de Martin Scorsese. Sobre a escolha de bizarros personagens ela faz questão de explicar. “Eu escolho aqueles que são o oposto de quem eu sou. Acho que atuar é isso. Se eu interpretar uma menina boa, que vem de uma família feliz, será exatamente como eu, e não será atuação. Prefiro personagens pesados, que têm problemas muito piores dos que eu tenho”, diz. E continua. “Essa é minha terapia, sabe? Assim eu consigo expressar certas emoções que não poderia como uma pessoa normal. Seria esquizofrênico expressá-las como Chloe”, diz.

Será que a jovem teria medo de ficar eternamente marcada por esses personagens? “Não. Eles são tão diferentes da pessoa que anda nas ruas. É difícil me reconhecer através destes personagens. Eu uso peruca roxa para viver a Hit Girl e vermelha para a Carrie. As roupas são tão diferentes. Eu acho que as pessoas pensam que eu sou estranha na vida real, mas não sou”, diz ela, repensando após dois segundos. “Eu sou estranha, eu realmente sou, mas mais no sentido de ser espalhafatosa”, diz ela. Entendido.

A jovem atriz confessa que já teve de lidar com muita desconfiança no ramo. “Há sempre momentos em que eu apareço no set e as pessoas não me levam à sério. São uns bons dois dias para eu provar meu valor”, explica. “Eu odeio ter que provar meu valor, mas é legal, porque aí eles me tratam como adulto”, diz. E o que seus amigos pensam dela e de seus personagens? “Meus amigos são meus amigos, eles me conhecem desde que eu tinha 9 anos, então eles não se importam. Eles me dão força e sabem que quando estamos juntos, eu não quero falar de business. Da mesma maneira que eu não pergunto como eles vão em matemática na escola”, explica. “Minha família é o que me mantém sã. E a equipe que me acompanha. Você tem que escolher certo, pois uma pessoa ruim pode arruinar todo o resto”, afirma, com a sabedoria de uma mulher de negócios.

E acredite, Chloe tem uma enorme equipe ao seu redor, além de sua mãe, que a acompanha em todos os eventos, e seu irmão, que trabalha como agente. “Minha mãe lê cada roteiro e os aprova antes que eu aceite os projetos”, diz. Perguntamos se ela não ficou chocada com o nível de palavrões em Kick Ass? “Foi ela que achou o roteiro do filme e me apresentou”, rebate, defendendo que sua mãe “não se importa com os palavrões e a violência”. “Ela sabe que não sou eu.”

Chloe faz suas próprias cenas de ação, sem dublês. “Provavelmente 90%”, diz ela sobre o volume de cenas de acão que faz, para nosso espanto. “Fisicamente esse foi o papel mais difícil que já fiz”, confessa, revelando que treinou com a equipe de Jackie Chan por três meses para o primeiro filme, em 2010. “Eu faço o máximo que eu posso fazer legalmente. A partir de certo momento, as seguradores não cobrem mais, entende?”, conta, com normalidade. “Eu fiz a cena em que estou no topo da van naquela rodovia. Fiz várias das lutas com a Mãe Rússia e também aquele treinamento em que ensino golpes ao Aaron, os socos, os chutes.” Perguntamos se há algo que ela não faz. “Bem, eu não dirijo motos – eu nem tenho licença para isso. Eles me colocaram em uma e falaram: vai!”. Ficamos aliviados.

A atriz vê semelhanças entre Mindy e Carrie. “As duas são forasteiras na escola e têm pais dominadores, que os amam demais. Mas elas tentam fugir dessa proteção para entender quem são de verdade”, explica. “Mindy é super forte e sabe exatamente o que quer. Ela não tem medo de ninguém, ao contrário da Carrie, que é mal tratada ao máximo e aceita tudo”, compara. “Você entende o que essas crianças passam”, comenta. Será que ela entenderia de fato? “Eu faço escola de casa desde que tinha 9 anos. Eu tenho o mesmo professor há onze. Eu levo a escola bem seriamente, quero fazer universidade, mas não vou jogar minha carreira fora.”

Chloe se expressa tão bem que logo esquecemos que estamos perante uma menina de apenas 16 anos. Ela é divertida, falante, bonita e propriedade quente de Hollywood no momento. Com seis projetos futuros – ao lado de nomes como Keira Knightley, Denzel Washinton e Charlize Theron –, será que veremos outros lados da atriz em no futuro? “Eu nunca vou pensar que depois dos 18 posso fazer o que quiser. Eu tenho uma carreira legal até agora e me envolvi com bons projetos. Por que tentar fazer coisas opostas do que eu já fiz?”

 

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