'Aquelas poltronas são partes da minha vida', diz Barbara Sturm

Filha do dono nasceu com a distribuidora Pandora, brincou naquelas salas e agora lembra um pouco da história do velho Cine Belas Artes

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

26 Junho 2014 | 02h00

A volta do Belas Artes e os 25 anos da Pandora. É bastante para comemorar, não?

Pode ser, mas é tudo muito orgânico para mim. Meu pai (André Sturm) criou a distribuidora quando nasci. Crescemos juntas. E o Belas Artes sempre fez parte da minha vida. Menina, adolescente, sempre frequentei as salas. Com os amigos, era sempre uma festa quando descobriam que eu não tinha só um cinema, como tinha várias salas.

Nesses 25 anos, a Pandora trouxe não apenas novos filmes importantes como recuperou clássicos. Como foi isso para você, como filha e espectadora?

Acho que meu pai, com o sonho dele de cinema, formou toda uma geração de espectadores, e eu integro essa geração. Graças a ele, e à Pandora, vi clássicos de Visconti, Fellini, Resnais. Vi novos filmes de diretores que, se não fosse a Pandora, talvez nunca tivessem chegado aos cinemas brasileiros. É um negócio para a gente, mas também é um prazer, diria devoção, se não parecesse pretensioso.

E a ideia é continuar trazendo os grandes filmes?

Agora mesmo, no recente Festival de Cannes, compramos o vencedor da Palma de Ouro. Não vamos lançar o Winter Sleep em seguida. Vai ser um pouco mais adiante. Vamos reservá-lo para a Mostra e, depois, sim, fazer o lançamento. Apesar do prestígio da Palma de Ouro, o filme de Nuri Bilge Ceylan tem três horas, e isso pesa. Mas é um grande filme, além de um filme grande e acho que a Mostra vai ajudar a dimensionar a sua importância para o público.

Falando como exibidora - que você também é -, o que se pode esperar do novo Belas Artes? Eu espero que troquem as poltronas, porque adorava os cinemas, mas não conseguia me encaixar nelas. E aí, mudaram?

Jura? Eu gostava tanto daquelas poltronas que peguei uma para mim e levei para casa. Mas, sim, foi tudo liquidado quando o cinema fechou. As poltronas, o sistema de projeção, tudo foi mudado. Mas o básico continua - cada sala tem seu sistema de projeção, menos duas que compartilham a cabine. E hoje o processo digital facilita muito. Não tem mais aquela coisa de rebobinar o filme. Basta apertar o botão.

E em termos de programação?

A meta de meu pai sempre foi formar e manter plateias de cinéfilos. Vamos continuar investindo em clássicos, em programações especiais, em Noitão. Aquelas madrugadas de filmes fizeram parte da minha adolescência. Falo dos jovens porque o prazer da descoberta é imenso, mas o Belas Artes sempre teve um público adulto, maduro que vamos nos esforçar para reconquistar e manter.

Podemos lembrar um pouco da história do Belas Artes? E da Pandora?

Uma coisa que foi histórica no Belas Artes foi o sucesso daquele Resnais, Medos Públicos, que ficou anos em cartaz. Em matéria de sucessos da Pandora, não parecem imensos, porque sempre trabalhamos com poucas cópias. Mesmo assim, Trainspotting fez 240 mil espectadores, Elsa e Fred, 210 mil espectadores, Assédio, 200 mil espectadores.

Uma das salas será exclusiva de lançamentos brasileiros?

Sim, a Sala SP Cine. Mas as outras, que vão manter os nomes (Villa-Lobos, Carmem Miranda, etc.) também poderão exibir a produção nacional.

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