Joel Ryan/Invision/AP
Joel Ryan/Invision/AP

Aos 40 anos, Cameron Diaz mantém beleza e boa forma

Depois de lançar seu primeiro livro, atriz volta às telonas em Sex Tape

Cindy Pearlman, The New York Times

29 Setembro 2014 | 09h57

"Há uma citação que gosto muito: 'comparação é uma agressão brutal contra a própria pessoa'. E com muita frequência as mulheres se comparam umas às outras: é um desperdício de energia". E suspira. Cameron é autora de The Body Book: The Law of Hunger, the Science of Strength e Other Ways to Love Your Amazing Body (O Livro do Corpo - A Lei da Fome, a Ciência do Fortalecimento e Outras Formas de Amar o Seu Corpo Incrível. Harper Wave, 2013), integra as listas das mais belas mulheres e, a julgar pelo seu novo filme, Sex Tape, não perdeu nada desde que passou dos 40 anos. Mas admite que nem sempre ficou satisfeita com o que viu no espelho. 

"Se você é o que come, sou um burrito de feijão com muito queijo, nada de cebola, muito molho e uma grande Coca-Cola", afirma. "Acho que tenho molho de taco correndo nas veias".

E ela ri. É uma manhã ensolarada num hotel em Beverly Hills e a atriz, que se qualifica como uma "ex-viciada em junk food" certamente não se enquadra nesse papel. Alta e esbelta vestindo calças beige e um suéter combinando, Cameron parece ter no mínimo dez anos menos do que os 42 que completará em 30 de agosto.

"Nós não nos permitimos envelhecer com dignidade", diz ela. "Se não aparentamos ter 25 anos a sensação é de que fracassamos. Não acho que, como mulheres, temos obrigação de ficar estagnadas. Quero que a vida continue a fluir enquanto fico mais velha e mais sábia", completa.

"Envelhecer é um privilégio. À medida que fico mais velha a vida parece ser melhor, porque sinto-me mais cheia de energia e o medo aos poucos vai desaparecendo. Você não se preocupa mais com o que as pessoas dizem."

No filme de Jake Kasdan, lançado em 11 de julho nos Estados Unidos, Cameron interpreta Annie, e Jason Segel está no papel de Jay, seu marido. Depois de uma década de casamento e dois filhos, sua vida sexual entrou em declínio e eles decidem tornar as coisas mais excitantes fazendo uma gravação épica de cenas de sexo exclusivamente para sua própria diversão. O plano é destruir a gravação no dia seguinte, mas, devido a um erro técnico ela acaba caindo na Internet e eles correm o risco de se tornarem famosos mundialmente, mas não da maneira que gostariam.

"O filme realmente aborda como você precisa manter as coisas muito privadas nesta era da informação", diz a atriz. "Há excesso de informação por aí e você realmente precisa resguardar sua vida privada".

Ela e Segel já haviam contracenado na comédia de sucesso Bad Teacher (Professora sem classe), de 2011.

"Ficamos bons amigos. Ele é muito cordial, acessível e muito divertido", diz ela.

O clima de tranquilidade foi muito útil para Cameron, que pela primeira vez aparece nua na tela.

"Faz parte do filme, além do que Jason e eu somos companheiros e parceiros como comediantes. Temos a mesma veia cômica."

Segel concorda.

"Não existe outra pessoa com quem gostaria de trabalhar nesse filme que não fosse Cameron", diz o ator. "Ela é mestre em comédia. Só precisei fazer o papel de um parceiro romântico e perder alguns quilos".

Gravar uma noite de sexo desenfreado ocupou duas semanas de trabalho esmerado no set de filmagem, mas Cameron diz que as atuações foram "espontâneas e no calor do momento".

"Você não filma essa cena num único dia. Tudo tem a ver com posições de câmera e a coreografia e também tinha de ter diversão. Há muitas posições e situações e as coisas vão sendo gravadas, o que explica porque eles ficam tão histéricos quando a gravação vaza na Internet.

Nossos personagens fazem o livro inteiro do The Joy of Sex numa noite que se transforma numa maratona de sexo".

Sua primeira incursão na nudez na tela não a intimidou. "Adoro assumir riscos. Você não vai querer dizer daqui a 10 anos: 'ah, gostaria de ter feito aquilo'. Lembro-me quando comecei no cinema com The Mask (O Máscara, de 1994). Alguém me perguntou, 'como você se vê daqui a 10 anos?'. Eu tinha 22 e respondi que 'gostaria de estar feliz'".

"E também me perguntaram, 'que tipo de papel gostaria de interpretar?'. Minha resposta foi 'não sei se ainda estarei atuando daqui a 10 anos'".

"Mas estou muito feliz por estar atuando e adoro fazer comédias. Sei que cada filme é um risco. Não existe uma garantia. Você tenta levar para o público algo diferente que o leve a querer nos assistir".

Cameron Diaz cresceu em Long Beach, Califórnia. Aos 16 anos começou a trabalhar como modelo para a Elite Model Management e desfilou para Calvin Klein e Levi's. No ano seguinte estava na capa da Seventeen.

Tinha 21 anos quando fez sua estreia na grande tela, na comédia de Jim Carrey O Máscara. Cameron diz que não tinha a mínima ideia do que estava fazendo. "Foi claramente um caso de aprendizagem no emprego. Não tinha nenhuma experiência, mas atuar era tão divertido que quis aprender".

E certamente aprendeu. O Máscara transformou Cameron Diaz numa 'sex symbol' da noite para o dia e a partir daí iniciou uma carreira profícua que incluiu alguns sucessos como She's the one (Nosso tipo de Mulher - 1996) de Edward Burns, My Best Friend's Wedding (O casamento do meu melhor amigo - 1997), There's Something about Mary (Quem vai ficar com Mary - 1998), Any Given Sunday (Um Domingo qualquer - 1999) de Oliver Stone, Charlie's Angels (As Panteras - 2000), Gangues de Nova York, de Martin Scorcese (2002), Charlie's Angels: Full Throttle (As Panteras Detonando - 2003) e Bad Teacher.

Ainda nos cinemas está seu mais recente filme, a comédia The Other Woman (Mulheres ao ataque) em que ela, Leslie Mann e a modelo agora atriz Kate Ypton interpretam mulheres traídas pelo marido/namorado.

"É um filme especial", diz Cameron. "Não foi feito nada igual. Normalmente quando há uma história sobre três mulheres e um homem o que vemos é socos no olho e cabelos sendo arrancados. Nós quisemos usar o que elas têm em comum tendo uma relação com o mesmo homem que vai uni-las."

"É uma história de amizade e sobre como as mulheres se apoiam. É uma comemoração das suas forças".

No seu próximo filme Cameron interpretará a velha e sádica Miss Hannigan em Annie, refilmagem de um clássico musical estrelado por Quvenzhane Wallis e Jamie Foxx cujo lançamento está previsto para a época de Natal.

Bons genes com certeza contribuíram para sua aparência juvenil aos 42 anos, mas Cameron sublinha que trabalha muito também para isto, com um controle rigoroso do que come e particularmente do que bebe.

"Tenho de me movimentar quando acordo. Faço exercícios, caminho. Movimentar o corpo é importante para a saúde", diz ela. "Passe duas semanas sem tomar refrigerantes e verá a mudança. E não beba cafés com excesso de açúcar ou leite. Há pessoas que tomam quatro por dia. Não podemos nos exceder".

Cameron procura transmitir sua mensagem de saúde que inspirou The Body Book. "Decidi escrever um livro, aos 39 anos, depois de conversar muito com mulheres da minha idade. Tantas mulheres perguntam 'como funciona meu corpo?' É uma loucura que você convive com seu corpo por tanto tempo e não entende como ele funciona."

"O livro explica a ciência do seu corpo. E sugere que as mulheres deixem de se comparar com as outras porque é um desperdício de tempo e de energia. Eu quero que as mulheres amem quem elas são."

"Você não sabe do que é capaz enquanto não se tornar a melhor versão de si mesma".

TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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