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André e Barbara Sturm reabrem o Belas Artes

Luiz Carlos Merten - O Estado de S.Paulo

26 Junho 2014 | 02h 00

Dupla lança campanha 'Belas Artes, meu amor' e consagra relação com a capital paulista; cinema deve ser reaberto logo após a Copa

Notáveis como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso já compraram suas poltronas personalizadas no Caixa Belas Artes. E você não sabe o que é isso? O velho Belas Artes vai ressurgir repaginado, para alegria dos frequentadores do conjunto de salas na Av. Consolação. Fechado em 2011, o Belas Artes teve sua fachada tombada pelo Condephaat no ano seguinte. Isso facilitou as tratativas para que as salas voltassem, agora com patrocínio da Caixa.

Um problema com os dutos de ar condicionado atrasou o cronograma da reforma. Na segunda-feira, o Estado visitou o canteiro de obras. Estavam o dono da marca, André Sturm, com a filha, Barbara, que toca hoje a distribuidora da família, a Pandora, e será a programadora das salas. As obras estão aceleradas. Em julho, após a Copa, o Belas Artes, como fênix, renasce.

André Sturm ainda não bateu o martelo, mas se tudo der certo ele espera inaugurar o Caixa Belas Artes em julho, logo após a Copa. Num domingo, dia 20 - mas a data por enquanto é um desejo, não uma certeza. "É bom que seja num domingo, para ser bem festiva (a inauguração). Pensamos numa programação bem variada, para agradar a todos os públicos." Um dia de festa, como deverá ser a devolução, à cidade, de um de seus espaços mais tradicionais de cinema. Quando coloca a ação no plural - 'Pensamos' -, André divide tudo, o desejo e a responsabilidade, com a filha, Barbara Sturm. E não é só o novo Belas Artes. Eles também comemoram os 25 anos da distribuidora - a Pandora - que papai fundou em 1989, justamente quando a filhota estava nascendo.

Maira Vieira/Estadão
Torcida. Barbara e André Sturm no canteiro de obras do "novo" cinema

Desde o fechamento do Belas Artes, em 2011, tem sido uma batalha para André reabrir a casa. No começo dos anos 1980, o Belas Artes foi consumido por um incêndio. Ressurgiu das próprias cinzas graças ao esforço de outro batalhador - Jean-Gabriel Albicocco, cineasta, o homem da Gaumont no Brasil, que criou o complexo de salas e acoplou o conceito a uma distribuidora (também Belas Artes) que deveria trazer ao País o cinema de autor da Europa, especialmente da França. O sonho da distribuidora Belas Artes não vingou, mas André criou a Pandora e, nos últimos 25 anos, a efígie de Louise Brooks, a lendária intérprete de A Caixa de Pandora, de G.W. Pabst, tornou-se familiar para multidões de cinéfilos.

Em 2011, havia gente chorando na última sessão do Belas Artes, reclamado por seu proprietário. O repórter estava lá e lembra-se dos bilhetes que, espontaneamente, o público afixava num quadro de despedida. O Belas Artes não era só um cinema, um conjunto de salas. Era ponto de encontro, de formação de plateias. Amores, casamentos, provavelmente divórcios - entre um Ingmar Bergman e outro -, nasceram ali. A última sessão foi de clássicos, todas as salas liberadas para que o público pudesse passar de uma a outra. A última sessão - mesmo -, pela duração do filme, foi a do clássico O Leopardo.

Virou emblemática da situação vivida pelo Belas Artes. O príncipe Salinas, Burt Lancaster, assistia à derrocada de sua classe. Mas, na obra-prima de Luchino Visconti, o fim era um recomeço - e o príncipe, dançando com Angélica Sedara, a deslumbrante Claudia Cardinale, sinalizava para a ascensão social da burguesia endinheirada. Na luta pelo retorno do Belas Artes, foram necessárias algumas etapas. Em 2012, o Condephaat tombou a fachada do prédio, mas ele continuou fechado até que, no finalzinho de janeiro deste ano, foi feita a parceria com a Caixa Econômica Federal e a Caixa Seguros que viabilizou a reforma das salas. Cercado de autoridades - prefeito municipal, secretários Municipal e Estadual de Cultura -, o diretor executivo do Museu da Imagem e do Som e proprietário da marca Belas Artes, além de programador das salas, André Sturm, firmou o contrato.

Maira Vieira/Estadão
À espera. Sala em reforma

Por cinco anos, renováveis por mais cinco, teremos Belas Artes. E é bem no plural que é preciso colocar a retomada das salas. Para selar a reintegração do Belas Artes à vida cultural da cidade - reclamada pelos cinéfilos -, André e a filha bolaram a campanha 'Belas Artes, meu amor'. Originalmente, ela deveria estar terminando por estes dias, mas foi prorrogada até 4 de julho para que mais pessoas possam reservar (e comprar) suas poltronas no novo Belas Artes. "Tivemos um retorno muito grande, muita gente interessada. A ideia é que o público se torne sócio do espaço e batize uma das poltronas da Sala 1, a maior. O plano Sócio sai por R$ 3 mil e dá direito a assistir a uma sessão por dia, com acompanhante, durante um ano, além de uso de guichê especial na retirada dos ingressos e plaquinha com o nome do benfeitor na poltrona", informa Barbara.

E, se você achar o preço salgado, o plano Cinéfilo sai mais em, conta. Por R$ 800, você garante seu direito de assistir a um filme por semana, durante um ano, além de outros benefícios. Os planos estão à venda pelo site www.caixabelasartes.com.br. "Pelo cronograma também já teríamos inaugurado o Caixa Belas Artes, mas o problema com os dutos de ar condicionado tornou a obra muito mais complicada”, relata André Sturm. "Agora é fácil. Essa parte de forro e poltronas pode ser feita rapidamente." O cinema ainda nem reabriu e outra reforma vai ocorrer numa das salas do térreo, até o fim do ano. "Vamos criar um serviço de bar e restaurante em parceria com o Riviera, que fica na esquina em frente. Mas que os cinéfilos não se assustem. É um outro conceito que não as salas VIP que já existem São Paulo.

CULTS E NOVIDADES PARA A REABERTURA

'Quanto Mais Quente Melhor'

Billy Wilder e Marilyn Monroe, mas Jack Lemmon rouba a cena

'Medos Privados em Lugares Públicos'

O filme de Alain Resnais vai voltar para lembrar por que ficou anos em cartaz no conjunto de salas

'O Encouraçado Potemkin'

Serguei M. Eisenstein e a cena cultuada da escadaria de Odessa

'Romance Policial'

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