Fox Film
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Análise: Soluções absurdas de 'Três Anúncios para Um Crime' fazem filme desandar

Longa se perde numa série de situações inusitadas

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

14 Fevereiro 2018 | 06h00

Depois de vencer indicadores como o SAG Award e o Globo de Ouro, será uma grande surpresa se Frances McDormand não receber seu segundo Oscar no dia 4. Casada com Joel Coen, Frances já ganhou, há mais de 20 anos, a estatueta por um filme dirigido pelo marido, Fargo. Três Anúncios para Um Crime devolve-a agora a uma paisagem não muito distante, e de novo num clima de humor negro gótico. Mas falta a neve, e não apenas.

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Três Anúncios passa-se numa comunidade do Meio-Oeste, mas, ao contrário dos Coens, que gostam de fazer da paisagem, com sua especificidade, um personagem, Martin McDonagh torna tudo meio vago. A geografia, a localização. O que importa é que a cidade é interiorana - talvez, no imaginário do diretor (e da atriz) uma pequena amostra da ‘América’ profunda que elegeu, e ainda sustenta, o presidente Donald Trump. O ponto de partida até que é interessante e por meia hora o filme se garante. Frances faz a mãe que, nessa pequena cidade, amarga a morte da filha. Inconformada com o que lhe parece a inépcia da polícia local, que não resolve o caso, Frances utiliza três billboards para publicar anúncios questionando o xerife e seu assistente. Sofre todo tipo de pressão, até do outro filho, mas não recua.

+++ Análise: 'Três Anúncios para Um Crime' mostra uma América profunda, com violência e humor

Sem risco de spoiler, pode-se dizer que o que começa bem rapidamente desanda e o filme se perde numa série de situações - e soluções - absurdas. Mais de um crítico já assinalou que Três Anúncios é um filme totalmente escrito, e no papel as coisas até que parecem fazer sentido. Só que, na prática, a teoria vira outra e o filme expõe seu artifício. McDonagh se vale de uma série de recursos - de trama e encenação - para agradar a um público, digamos antenado. Tudo muito esperto, mas não divertido de verdade, e em parte porque, ao descolar o filme da paisagem para fazer gracinha, Três Anúncios claramente expõe seus limites. É perverso, mas McDonagh se beneficia do movimento das mulheres para obter reconhecimento - sete indicações para o Oscar! Outro filme até melhor - Terra Selvagem, de Taylor Sheridan sobre índia estuprada e morta - foi para o ralo por ter sido produzido pelo maldito Harvey Weinstein.

 

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