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Análise: 'Rogue One' já nasceu consagrado

Longa dirigido por Gareth Edwards é o primeiro spin-off do universo expandido da série 'Star Wars'

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Luiz Carlos Merten ,
O Estado de S.Paulo

13 Dezembro 2016 | 15h21

Algumas figuras mitológicas estão de volta - Darth Vader, a princesa Leia, R2D2, C3PO. Mas o que faz de Rogue One - Uma História Star Wars uma bela aventura é a liberdade de tom com que o diretor Gareth Edwards faz o primeiro spin-off do universo expandido da série, desde que virou propriedade da Disney. Em sucessivas entrevistas, Edwards fez questão de se declarar 'superfã' da saga intergaláctica de George Lucas. Diz que viu mais vezes Uma Nova Esperança, de 1977, que qualquer outro filme, até saber de cor os diálogos. Nada disso o credenciava para dirigir Rogue One. Nem os próprios filmes que fez antes - Monstros, o Godzilla de 2010. E não é que ele acertou?

Rogue One situa-se, coronologicamente, entre o terceiro e o quarto filmes da série original - Uma Nova Esperança e O Império Contra-Ataca. Como espetáculo de ação, é melhor que Episódio VII. Talvez tenha menos mitologia (e o letreiro inicial é diferente), mas, de resto, tem de tudo um pouco. Ação, romance, conflitos familiares, heroísmo, sacrifício, vilania - Ben Mendelsohn, que faz o diretor Krennic. Você precisa ver - a partior de quinta, 15 - para dar conta da química entre Felicity Jones e Diego Luna. Ela faz Jyn, separada do pai na cena inicial. Ele é Galen Erso/Mads Mikkelsen, o cientista que vai construir, para o Império, a Estrela da Morte. É considerado traidor pelas forças rebeldes. A filha, à frente de um grupo de loucos esperançosos, vai restaurar a reputação do pai. Para isso, precisa roubar os planos da Estrela da Morte, na qual Urso introduziu uma falha.

Quando veio a São Paulo para a Comic.Con Experience, Briasn Herring, que criou os alienígenas todos da história, havia advertido o repórter - prepare-se, porque Felicity (Jones) é ótima. Ela tem carisma - muito mais que Daisy Ridley, de Star Wars VII - O Despertar da Força.

JJ Abrams, que dirigiu o filme, pode ser muito maior que Gareth Edwards, e é. JJ é um grande nome do audioviosuial dos EUA. Cinema, TV, séries: Star Trek, Missão Impossível, Star Wars, Lost. Apesar disso tudo, sua obra-prima é Super-8, o filme sobre um garoto carente, que perdeu a mãe e que faz a ponte com um alienígena ensandecido porque está preso na Terra.

Gareth Edwards introduz um pouco dessa carência em Rogue One. A relação de Jyn com o pai, o que Diego Luna, como Cas, diz para ela - "Pensa que só você tem o monopólio do sofrimento?" A forma é de um filme de guerrilha. Um grupo de dez vai tentar roubar os planos da Estrela da Morte, no centro do Império. Dez que terão de valer por 100, por 1000. O esforço coletivo que se superpõe ao individual. Ser parte da força. Como diz o oriental Chirrut ao amigo, 'sempre poderemos nos encontrar na Força". Parece Humphrey Bogart no desfecho de Casablanca. Rogue One já nasceu consagrado - uma aventura nota 10.

 

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