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Análise: o título de 'rei da comédia' define perfeitamente Jerry Lewis

Ator e comediante morreu neste domingo, 20, aos 91 anos

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S.Paulo

20 Agosto 2017 | 18h17

Rei da comédia? No caso, o título não é apenas uma distinção ou homenagem, mas define perfeitamente Jerry Lewis, que morreu neste domingo, 20 aos 91 anos. As agências divulgaram que o artista faleceu em sua casa em Las Vegas, de “causas naturais” e em paz. Quer dizer, viveu até que o esgotamento do organismo e então se foi. Deixa marca indelével na história de sua arte.

A partir, em especial, de sua provável obra-prima, O Professor Aloprado (1963). Para fazer rir, ele se inspira num texto dramático de Robert Louis Stevenson, O Médico e o Monstro, espécie de estudo romanesco da dupla face que torna o ser humano de difícil definição. Todos têm um lado bom e um lado mau; o que torna uns melhores que os outros é apenas a dosagem em que essas características se manifestam.

O filme é dirigido e interpretado por Lewis, um professor de Química tão genial como pouco atraente e de timidez doentia. Ele inventa uma droga que o transforma em irresistível sedutor. Mas, como se sabe, essa intervenção externa no delicado equilíbrio da personalidade humana não costuma dar certo. E, dessa forma, o balanço artificial entre o Doctor Jekyll do bem e o Mister Hyde do mal acaba dando errado. Muito engraçado e também muito bem dirigido, O Professor Aloprado faz rir muito, e também reflete sobre o aspecto frágil e dificilmente controlável da natureza humana.

Esse é apenas um título - o melhor de todos - em uma carreira bastante longa e produtiva. No site de cinema IMDB contam-se 24 créditos de Lewis como diretor e 74 como ator. Muitos filmes dirigidos por ele, ou que o tiveram como ator, tornaram-se familiares ao público brasileiro, como O Mensageiro Trapalhão, O Fofoqueiro e Bagunceiro Arrumadinho, no qual interpreta um enfermeiro hipocondríaco.

Como outros cômicos, Jerry Lewis (nascido Joseph Levitch, de uma família de judeus russos), veio do teatro burlesco e firmou nome na comédia pastelão. Além dos filmes, formou com Dean Martin uma dupla histórica na TV americana. Visto com ressalvas pela crítica doméstica, na Europa passou a ser considerado um “autor”, tanto pela qualidade como pelo controle que exercia sobre seus filmes. Tinha um toque a mais, diferente, tanto na direção como na composição de seus tipos. E esse “a mais” é o que em arte estabelece a fronteira entre o gênio e o mediano apenas competente. Lewis era caso raro.

Com fama universal e duradoura, Lewis não deixou de ter relações com o Brasil. Faz uma participação como carregador de malas em Até que a Sorte nos Separe 2. Leandro Hassum, protagonista do filme dirigido por Roberto Santucci, é grande fã de Lewis.

Outro fã é o diretor Bruno Barreto. Em entrevista à Revista de Cinema (13/8/2013), Bruno disse ter se inspirado numa comédia famosa de Lewis, O Terror das Mulheres (1961) para compor o personagem de Marcelo Serrado em Crô - o Filme (2013).

 

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