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Análise: Músico ou ator? Jared Leto dá conta das duas coisas

Artista é essa raridade. Reconhecido em sua múltipla, ou dupla, carreira

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

25 Agosto 2017 | 06h03

Quando conversou com o repórter no lançamento de Esquadrão Suicida, Jared Leto tinha consciência de estar arriscando muito. “Charada/Joker é um personagem emblemático dos quadrinhos, e foi criado genialmente no cinema por Jack Nicholson e Heath Ledger. Então, parece que estou me oferecendo para apanhar do público e dos críticos, mas tenho de confessar que adorei fazer o papel. O Charada me liberou para expressar minha loucura, a loucura que todos temos, mais que qualquer outro personagem. E, independentemente do resultado, não sei se ele vai acabar comigo, mas eu ainda não acabei com ele. Assinei (contrato) para mais coisas. Seria burrice deles (do estúdio) se não fizessem isso.”

Jared é essa raridade. Ator e músico reconhecido em sua múltipla, ou dupla, carreira. Oscar, Globo de Ouro, SAG Award no cinema - por Clube de Compras Dallas, de Jean Marc Vallée. VMA na música, para a banda Thirty Seconds to Mars. Não lhe peçam para escolher - “O barato é dar conta das duas coisas.” Aos 45 anos, Jared parece ter menos. Um de seus primeiros papéis foi em Lenda Urbana, de 1998. Integrou depois a guerra de Terrence Malick em Além da Linha Vermelha, deu e tomou porrada como Angel Face no Clube da Luta de David Fincher (e Brad Pitt), foi o filho drogado de Réquiem para Um Sonho, de Darren Aronofsky, e voltou a trabalhar com Fincher como um dos assaltantes (Junior) que invadiam a casa de Jodie Foster em O Quarto do Pânico.

Junior, Angel Face e o Coringa talvez sejam o mesmo personagem. O demônio com cara de anjo. O grande divisor de águas, o grande desafio, foi o Rayon de Clube de Compras. No filme que narra a luta do texano Ron Woodroof/Matthew McConaughey - que também ganhou o Oscar, o Globo de Ouro e o SAG - contra a indústria farmacêutica dos EUA para medicar-se contra a aids, Jared faz uma transexual soropositiva. Sua caracterização física impressiona, e ainda tem o emocional. Merece todos os prêmios que ganhou. A fisicalidade dos personagens, ele diz, é sempre essencial. Para fazer o assassino de John Lennon em Chapter 12, engordou quase 30 quilos. Terminada a filmagem, emagreceu em semanas. Admite que talvez tenha sido um erro. A violência na alteração do metabolismo, para mais e menos, produziu sequelas. Teve problemas nos ossos, chegou a ser cadeirante. E morria de dor. A música, brincou, é mais prazerosa.

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