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Análise: 'Cinco Graças' trata com leveza de temas sérios e atuais

Longa é um dos indicados ao Oscar de melhor filme estrangeiro

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Luiz Zanin Oricchio,
O Estado de S.Paulo

18 Fevereiro 2016 | 03h00

Deixando de lado a estranheza de um filme turco, falado em turco e dirigido por uma cineasta turca representar a França no Oscar, até que Cinco Graças pode ser considerado bem curioso.

Até se entende, por razões extracinematográficas, todo o interesse despertado. O longa fala no mundo islâmico, tema candente no mundo todo, na França em particular, por razões históricas e casos recentes. Tenta ver quão heterogêneo esse mundo pode ser, ao contrário do que fazem clichês e preconceitos, que o aprisionam em uma visão unidimensional. Por fim, trata de um problema que extrapola essa questão, o da opressão sobre as mulheres.

A história é das cinco irmãs que, ao voltarem da escola, se mostram entusiasmadas em excesso com brincadeiras envolvendo o sexo oposto. A família, comandada por um tio de vocação ditatorial, resolve que é melhor preservar a integridade das moças, aprisionando-as em casa para que não cedam às tentações do mundo.

A diretora Deniz Gamze Ergüven, nessa que é sua estreia, impõe certo frescor à história. Trata de temas pesados, mas faz com que o humor alivie um pouco a barra de tempos em tempos. Além disso, dá às jovens o salvo-conduto da rebeldia, essa moeda que, em cinema, nunca perde seu valor. Está acima de modismos e escapa sem escoriações da inflação do uso. 

Desse modo, o filme torna-se agradável. Embora, mesmo em seus momentos trágicos, seja superficial. Vale-se do artifício de uma narradora, Günes Sensoy, de 13 anos, a testemunha de toda a história. E dos tempos melhores que se anunciam, quando a opressão cessar. 

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