Carlo Allegri/Reuters
Carlo Allegri/Reuters

Análise: '15h17 - Trem para Paris' é obra guiada por uma ética e que, por isso, parece tão límpida

Currículo de Clint Eastwood tem filmes de peso importantíssimo para história do cinema

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S.Paulo

01 Fevereiro 2018 | 18h49

Como todo ator de grande sucesso, Clint Eastwood também começou sua carreira de diretor sob certa desconfiança. No entanto, após alguns ensaios iniciais, o Clint diretor mostrou a que vinha com Coração de Caçador (1990), aventura máscula, inspirada em Hemingway e com fundo metafísico. Havia pensamento naquele homem seco e brusco como seus personagens, eis a surpresa a ser constatada.

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Os Imperdoáveis (1992) marcaria não só o ressurgimento de um gênero passado - o faroeste - como sua obsolescência. Era como se Clint ressuscitasse o gênero que admirava apenas para matá-lo em seguida com o tom crepuscular imprimido a essa tragédia da vingança.

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Em 1995, nova surpresa e, desta vez, um ponto de fato fora da curva, com o Clint romântico de As Pontes de Madison, contracenando com Meryl Streep.

Caubóis do Espaço (2000), com sua tentativa de resgate dos velhos astronautas, derrapa um tanto na pieguice. Mas a manutenção da nota emocional, sem excessos, voltaria com o excepcional Menina de Ouro.

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O tema da guerra passa ao primeiro plano com A Conquista da Honra e Cartas de Iwo Jima (2006), desconcertante díptico em que são contemplados os dois lados do conflito, os americanos e os japoneses.

Sua meditação sobre a vida do seu país prossegue em filmes como Gran Torino (2008), J. Edgard (2011), Sniper Americano (2014) e Sully - O Herói do Rio Hudson (2016).

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De fato, através dessa obra longa e sólida é possível aplicar um filtro de interpretação da América. Aquela dos patriarcas, da conquista do Oeste, dos valores sólidos e que tentam sobreviver ao vale-tudo contemporâneo, como a bravura, a lealdade, a amizade viril expressa com economia de palavras, o caráter reto.

Valores herdados e dos quais Clint não abre mão. No entanto, em seus melhores filmes ele os problematiza, sem deles abdicar. Motivo pelo qual são tão bons. Em tempos fluidos, seu cinema é guiado por uma ética e, por isso, parece tão límpido. 

 

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