'Amor sem Fim' consegue superar filme homônimo de 1981

Longa retrata a paixão doentia entre Jade Butterfield e David Elliot

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

12 Junho 2014 | 19h00

No começo da carreira de Franco Zeffirelli, podia-se tudo perdoar ao antigo assistente de Luchino Visconti por conta do fausto barroco e das belas imagens de A Megera Domada e Romeu e Julieta. Mas, depois, como observa Jean Tulard no Dicionário de Cinema, a pieguice tomou conta dele. As óperas filmadas ainda disfarçam, mas Amor sem Fim já é um melodrama atroz. Um Romeu e Julieta contemporâneo, e com base num livro de prestígio (de Scott Spencer). Boy meets girl, mas é um amor obsessivo e o mundo se interpõe entre eles. Zeffirelli fez um filme tão errado que, dispondo do jovem Tom Cruise no elenco, preferiu que Brooke Shield formasse dupla com o insosso Martin Hewitt. Não admira que o Amor sem Fim de 1981 - há 33 anos - tenha sido considerado um dos piores filmes da época.

Desse mal a diretora Shana Feste conseguiu se livrar. Cinicamente, se poderia dizer que seu Amor sem Fim é apenas ruim. E ela não fez um remake do filme de Zeffirelli, da mesma forma que não usa a canção de Lionel Ritchie e Diana Ross que foi indicada para o Oscar no Endless Love antigo. Seus problemas são outros - por mais belos que sejam (colírios para os olhos), Alex Pettyfer e Gabrielle Wilde têm mais de 20 anos e é óbvio que estão tentando se fazer passar por jovenzinhos de 17. A diferença não é só de idade, é também de classe. Ela é rica, ele é pobre. E papai Bruce Greenwood vai passar feito um trator sobre o pobretão para impedi-lo de afastar sua princesa do caminho que traçou para ela.

Mamãe Joely Richardson até que tenta, mas ela é a prova de que esses milionários querem mulheres e filhas como adornos de suas mansões de luxo. Joely era escritora - sabemos disso por um comentário de Pettyfer, que leu o livro dela -, mas o marido a fez desistir da literatura para se consagrar ao lar. Quando Joely diz a Greenwood que Pettyfer e Gabrielle lhe lembram o começo dos dois, ele reage com fúria - "Eles não são como nós". Fuçando no passado do genro que não quer, o milionário descobre antecedentes de violência. E não se vexa de forjar falsos flagrantes.

A pergunta que não quer calar - como esses dois chegarão a se entender? A verdadeira pergunta - até quando Gabrielle e o irmão vão aceitar que o pai conduza a vida deles? Pettyfer e Gabrielle foram ambos modelos. Além de bonitos, têm química, mas o filme, à força de ter sido feito para conseguir uma censura baixa (PG-13), não transforma essa química em paixão. O incêndio com que se resolve a trama não tem nada a ver com o fogo dos sentimentos, da paixão. Amor sem Fim é um filme para os olhos. Tem ambientes sofisticados, carros de luxo, muita gente bonita. Seus olhos vão passear pela tela, sem nenhuma necessidade de um olhar mais atento.

AMOR SEM FIM

Título original: Endless Love.

Direção: Shana Feste.

Gênero: Drama (EUA/2014, 104 min.). Classificação: 12 anos.

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