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Alê Abreu é sondado por produtores e ainda vai ser membro da Academia do Oscar

- Atualizado: 26 Fevereiro 2016 | 18h 19

'O Menino e o Mundo' disputa estatueta de melhor animação

LOS ANGELES - O cineasta Alê Abreu deve terminar o dia com dor na face, tamanha a quantidade de sorrisos que distribui diariamente, desde que chegou a Los Angeles, no início de fevereiro, para divulgar sua animação O Menino e o Mundo, que concorre ao Oscar da categoria, no domingo, 28. Desde então, foram diversos encontros com imprensa, colegas de ofício, produtores, uma agenda tão recheada que precisou do auxílio da assessoria da GKids, empresa americana que representa o filme nos EUA.

“Cheguei aqui acreditando que iria encontrar concorrentes, mas só fiz amigos”, disse ele ao Estado. “Fui muito bem recebido pelos organizadores da categoria de animação da Academia, que vão me convidar a fazer parte como membro. Também conheci os outros concorrentes, que foram muito amaveis.”

A estadia tem sido muito produtiva para o brasileiro. Na quinta-feira, por exemplo, ele foi apresentado a um executivo da Universal Pictures, que o recebeu sorridente. “Ele estava muito feliz em me contar que a Universal fechou um acordo com a Gkids (empresa que representa ‘O Menino e o Mundo’ nos EUA), e vão distribuir o filme em DVD e Blu-Ray no território americano.”

O diretor Alê Abreu
O diretor Alê Abreu

Esse foi apenas um dos encontros de negócio - Alê já foi convidado a estudar propostas de grandes estúdios americanos, além de sondagens vindas da França e de Luxemburgo. “Claro que isso me deixa muito feliz, mas tenho que manter a cabeça no lugar. Depois dessa fase festiva, volto ao Brasil para cuidar do meu próximo filme com meus parceiros. Aí veremos as possibilidades de outros trabalhos”, comentou ele, que apenas ontem de manhã teve uma folga para fazer uma caminhada, sem nenhum compromisso.

A agenda, de fato, tem sido recheada. Alê Abreu participou de festas e encontros com produtores, como da Pixar. E um dos momentos mais proveitosos aconteceu na noite de quinta-feira, no Samuel Goldwyn Theater, o luxuoso cinema da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, em Beverly Hills. Como evento oficial da semana Oscar, Alê participou do encontro com os outros concorrentes na categoria. Ao falar sobre O Menino e o Mundo, o cineasta brasileiro encantou a plateia ao fazer uma revelação. 

“Depois de exibir o filme pela primeira vez para alguns espectadores, notei que todos gostaram, mas que se sentiam tristes ao final da projeção”, contou. “Não era esse o filme que eu pretendia fazer. A solução foi modificar uma cena.”

Curiosamente, Peter Docter e Jonas Rivera, realizadores da animação favorita a faturar a estatueta dourada, Divertida Mente, contaram que também precisaram fazer uma mudança em seu trabalho. “Inicialmente, os produtores temiam que as crianças não entendessem o conceito do filme, ou seja, as diversas reações emocionais de uma menina”, observou Docter. “No final, tivemos que simplificar o desenho para os executivos, mas as crianças adoraram.”

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Divulgação
O Menino e o Mundo

O Brasil nunca esteve tão interessado na categoria de animação, que pela primeira vez na história do Oscar apresenta um concorrente local. O filme de Alê Abreu já amealhou 44 prêmios ao redor do mundo e vai na contramão das grandes produções do gênero de Hollywood para contar a história do garoto que vê o pai se despedir da família, no campo, em busca de dias melhores, e cai no mundo, na tentativa de reencontrá-lo. 

Durante o debate, aliás, Docter fez uma deliciosa confissão, que deixou o brasileiro envaidecido: ele contou que seu filho pequeno chorou depois que os pais não o deixaram ele assistir a O Menino e o Mundo pela segunda vez seguida no mesmo dia. A plateia gargalhou muito.

Havia, na verdade, um clima de revelações naquele encontro. Isso porque, logo em seguida, foi a vez de dos criadores de Anomalisa, Charlie Kaufman, Duke Johnson e Rosa Tran, comentarem sobre a mais controversa da animação que, aliás, é direcionada a adultos: a da relação sexual entre os personagens. “Foi a que consumiu mais tempo de trabalho: seis meses”, revelou Johnson. “E não tínhamos a menor ideia se iria funcionar. Só descobrimos quando o filme foi exibido pela primeira vez.”

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