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A moda imita a vida no filme 'Zoolander'

Estilistas e modelos imploraram por um pequeno papel no longa

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Lorne Manly,
NEW YORK TIMES

24 Fevereiro 2016 | 03h00

Zoolander 2 começa nas ruas de Roma, com uma cena de perseguição no melhor estilo Missão Impossível, mas de Derek Zoolander - que já foi o modelo masculino do ano três vezes e é ridiculamente bonito - não há nem sinal. Porém, quando os maiores astros da música mundial passam a ser vítimas de assassinatos misteriosos, todos fazendo a pose “Blue Steel”, sua marca registrada, em suas últimas postagens nas redes sociais -, o modelo lerdo, mas adorável, sai do esconderijo que impôs a si mesmo para ajudar a Interpol. E se vê de volta a um mundo da moda que mal reconhece.

Bem diferente também é a forma como a indústria reagiu a Zoolander nos 15 anos desde que Derek (Ben Stiller) e seu inimigo, o modelo Hansel (Owen Wilson), surgiram nos cinemas. “Da primeira vez, a gente estava fora do mundo da moda”, diz Stiller, diretor e um dos roteiristas de ambos os filmes; já na continuação, que deve estrear no Brasil em 3 de março, estilistas e modelos imploraram por um papel no longa ou na campanha publicitária nas redes sociais.

A longa ausência de Derek e Hansel nas telas pode, de fato, atuar em seu favor. Nesse tempo, o setor da moda vem se apoiando cada vez mais nas redes sociais e a relação simbiótica entre a cultura pop e a moda nunca esteve tão estreita. “É sobre vaidade e ego. Acho que é um lance que surgiu quando o telefone virou câmera; de repente, nos vimos obcecados por nós mesmos”, explica Stiller sobre o conceito do filme.

Durante a produção do primeiro Zoolander, quase ninguém sabia qual era a intenção de Stiller. Wilson conta que vários modelos masculinos foram embora do set, irritados com o retrato que viam de sua profissão. Quase todas as participações especiais foram resultado de uma verdadeira operação de guerra e são os sósias que assumem os papéis dos estilistas que orquestraram o plano do vilão Mugatu (Will Ferrell).

Na continuação, quem aparece são os bambambãs em pessoa: Marc Jacobs, Tommy Hilfiger, Valentino e Alexander Wang interpretando a si mesmos. Jacobs, aliás, é tão fã do original que gravou uma homenagem à cena do Orange Mocha Frappuccino, na qual Derek e seus amigos modelos, com a bebida favorita na mão, saem para dar uma volta que acaba em tragédia.

E Hilfiger ficou tão feliz de participar que se dispôs a usar uma roupa roxa - que, segundo ele, parecia mais uma cortina de veludo - na cena que gravou no estúdio Cinecittà, em Roma. 

Quem guiou o ator/diretor Ben Stiller nesse mundo foi Anna Wintour, a todo-poderosa editora-chefe da Vogue. “Contar com a Anna para validar o que estávamos fazendo foi essencial”, admite Stiller. Fã do original, Anna o levou aos estilistas e modelos de destaque e explicou como a rede social transformou o setor. A apresentação aos diretores de criação da Valentino - Maria Grazia Chiuri e Pierpaolo Piccioli, por exemplo - resultou em Derek e Hansel participando do desfile da grife na Semana da Moda de Paris, em março de 2015, para anunciarem que Zoolander 2 estava a caminho. Anna, cuja participação fora mantida em segredo, é claro, aparece no filme interpretando a si mesma, dando o melhor de si no confronto verbal que tem com Mugatu.

O Instagram é o veículo perfeito para uma indústria voltada para a imagem. Os top models de hoje são os que têm maior presença na rede social, na qual um tiquinho de autodepreciação em relação à vida pessoal causa mais impacto que a presença na última edição de qualquer revista - e os criadores e marqueteiros de Zoolander 2 estão se aproveitando com tudo dessa relação.

Stiller, pouco antes de sair de Nova York para os lançamentos em Sydney, Paris, Madri, Berlim, Londres e Roma, parecia surpreso com a atenção que o novo filme despertou. “É a volta por cima do Derek. Ficou afastado uns anos e agora voltou com tudo. E, finalmente, conseguiu a capa da Vogue! Estou supercontente por ele porque essa indústria é muito difícil”, conclui.

 

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