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'A Família Dionti', filme feito para emocionar

O diretor Alan Minas foi filmar em Cataguazes a triste história de um garoto que se derrete de amor

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

17 Abril 2017 | 03h00

Estranhos são os caminhos da criação. Alan Minas é um diretor carioca que foi fazer em Cataguases, terra do mítico Humberto Mauro, no interior de Minas, um belo filme sobre o Brasil profundo. A Família Dionti parece simples, ingênuo. Certamente existe simplicidade, mas ingênuo é tudo que o filme não é.

Ao repórter, o diretor contou que seu filme nasceu de uma imagem – um garoto flutuando no espaço. Ele começou a pensar por que, e como, isso poderia ocorrer. Não lhe interessava um conto sobre um anjo. A fábula foi se desenhando de outra maneira. Kelton vive com o pai e o irmão. A mãe desapareceu e o pai acredita que ela poderá voltar. O irmão tem pesadelos horríveis e parece estar a ponto de se perder na angústia de suas noites. É nesse momento que surge a menina, identificada com o universo vagabundo do circo. Kelton apaixona-se. Vira água, chuva. Como?

Consultado, o médico (Gero Camilo) diz que nunca viu nada parecido. Somos, os humanos, feitos de água, mas derreter de amor? Talvez a coisa toda seja um pouquinho mais complexa. Um sacrifício de Kelton para salvar o irmão, a família? O pai é um ótimo ator do Teatro Galpão, de Minas, Antonio Edson, e o elenco jovem foi recrutado em Cataguases. Murilo Quirino, que faz Kelton, e Anna Luiza Marques Paes, a garota, Sofia, são vizinhos de porta. Com Bernardo Lucindo, que faz o irmão, Sirino, foram escolhidos numa seleção rigorosa que testou 500 candidatos.

Como parte do processo, o diretor fez com que eles convivessem durante seis meses. Sendo do Rio, Alan Minas preocupava-se com a prosódia. Não queria o ‘mineirês’ das novelas da Globo, mas algo na vertente de... Guimarães Rosa? O próprio título Dionti faz uma contração de palavras bem ao gosto do escritor mineiro. Refere-se ao ontem, ao passado da família. A mãe, embora ausente, faz-se presente o tempo todo. E o filme respira fantasia – o desfecho é feito imagem por meio de um efeito muito bem logrado. É um belo filme de amor fraterno, familiar. Alan Minas acerta o tom. Como na música da Jovem Guarda, é um filme triste, que (talvez) o faça chorar, leitor. Mas não é aquele triste depressivo, que joga para baixo. É mais uma catarse emocional.

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