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40ª Mostra de Cinema: dicas para sábado, 29/10

Os críticos Luiz Carlos Merten e Luiz Zanin Oricchio escolhem seus filmes

O Estado de S.Paulo

28 Outubro 2016 | 18h33

Dicas para sábado (29/10), por Luiz Carlos Merten

O fim de semana da Mostra tem desde homenagem a Hector Babenco, no sábado, à maratona de William, Friedkin, no domingo. O cineasta teve de cancelar sua vinda a São Paulo, mas seguem os filmes, entre eles o polêmico Parceiros da Noite/Cruising, de 1980, que lhe valeu, na época, acusações de homofobia. O tema está em pauta no chileno Nuncas Vas a Estar Solo, do dublê de músico e cineasta Alex Anwandter.

Deixa na Régua

Sucesso no Festival do Rio, o documentário de Emílio Domingos usa barbeiros e salões de beleza que esculpem o visual das cabeças dos jovens para debater a nova estética da periferia. O que se passa na cabeça desses jovens que buscam sua inclusão na sociedade que os marginaliza? Muito bom. Circuito Spcine, CCSP, 16h40.

Nunca Vas a Estar Solo

Ex-vocalista da banda chilena Teleradio Donoso, Alex Anwandter mantém a carreira solo na música e virou cineasta. Seu filme conta duas histórias, ou a mesma história de dois ângulos. Um garoto que sonha ser drag é vítima de ataque brutal. Prepare-se porque a cena de espancamento é exemplar como exposição da covardia implícita nesses ataques de homofobia - o grupo unido contra o mais fraco. No caso, ainda é o amigo (íntimo) do espancado tentando se passar por macho. E existe o pai solitário, com problemas na firma. Belas Artes, Sala 1, 14 h.

Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia

Amigo da Mostra - Meu Amigo Hindu inaugurou o evento, no ano passado -, Hector Babenco é lembrado por meio de seu longa de estreia, que venceu a primeira edição. A cópia não é restaurada, e nem está muito boa, mas vale lembrar a determinação de Babenco, investindo contra os Esquadrões da Morte numa época em que estavam associados à repressão do regime cívico-militar. Para abordar o assunto, Babenco naturalizou-se brasileiro. Como argentino, achava que não seria ético imiscuir-se em questões internas do país em que estava vivendo. Cinearte 1, 21h50.

Barravento

O longa de estreia de Glauber Rocha. Sincretismo religioso, negritude em discussão. Meio caótico, mas com belíssima fotografia de Tony Rabatoni. E é certamente difícil desgrudar o olho do jovem Antonio Pitanga e da sexy Luiza Maranhão, que era chamada, na época, início dos anos 1960, de ‘Sophia Loren negra’. Cinemateca, Sala BNDES, 17 h.

Um Homem a Mais

Há controvérsia, mas Paolo Sorrentino era melhor no começo de sua carreira, antes de virar valor sacramentado para exportação nos EUA, com direito a Oscar e tudo. Esse foi seu primeiro longa. Vieram depois As Consequências do Amor, O Amigo da Família, Il Divo. Sorrentino conta aqui a história de dois homens que possuem o mesmo nome e vivem processos separados, mas estranhamente semelhantes, de decadência física e moral. Toni Servillo faz um deles. Cinesesc 20 h. Na sequência, às 22 h, o mesmo cinema apresenta The Young Pope, parte de uma série que o diretor fez para a TV norte-americana (e que estreou no recente Festival de Veneza).

Tudo à Venda

Um filme dentro do filme serve como ponto de partida para o tributo de Andrzej Wajda a seu ator mítico, Zbigniew Cybulski, que morreu num acidente de trem. O título não deixa margem a dúvida. O diretor atravessava um período de desencanto muito forte. Mais de um crítico considera Tudo à Venda um de seus maiores filmes. Vale conferir, embora, na comparação, esteja mais para A Noite Americana, de François Truffaut, que Oito e Meio, de Federico Fellini. Circuito Spcine, Sala Olido, 17 h.

A Rede

Pescador norte-coreano fica à deriva no mar e termina entrando em território da Coreia do Sul, onde passa por terríveis constrangimentos. O grande Kim Ki-duk está sempre buscando formas de refletir sobre o mundo em que vive. Reserva Cultural 2, 21h40.

 

Dicas para sábado (29/10), por Luiz Zanin Oricchio

El Amparo (Venezuela), de Rober Calzadilla.

Filme baseado em caso verídico. Em 1988, um grupo de pescadores é confundido com guerrilheiros e quase exterminado pelo exército. Dois sobreviventes negam a versão do governo e enfrentam as consequências. Belo thriller político sul-americano. Cinema venezuelano apresentado evidentes progressos formais em relação ao passado. CCSP, sáb. (29), 20h25.

Animais Noturnos (EUA), de Tom Ford.

O estilista Ford em sua melhor direção de cinema com Amy Adams como a dona de galeria de arte que lê o livro do ex-marido e se reconhece na trama. Metacinema sem o artificialismo comum ao recurso. Espaço Itaú Augusta, sáb. (29), 21h50; Cinemark Cidade São Paulo, dia 1º, 21h30.

Futuro Perfeito (Argentina), de Nele Wohaltz.

Filme argentino que brinca, de maneira humanista e criativa, com a dificuldade do aprendizado do espanhol por imigrantes chineses em Buenos Aires. Espaço Itaú Augusta, sáb. (29), 19h15; MIS, dia 1º, 20h45 

Nascimento (Colômbia), de Martin Mejia Rugeles.

Uma jovem está no período final de gravidez e tudo, na natureza, parece prepará-la para receber o filho. Um bonito documentário de observação, com sentido poético e poucas palavras. Espaço Itaú Frei Caneca, sáb. (29), 13h30.

Mifune, o Último Samurai (Japão), de Steven Okazaki.

Documentário sobre o grande ator Toshiro Mifune, que se celebrizou no papel de samurai em filmes de Akira Kurosawa. Mifune trabalhou em cerca de 170 filmes, 16 dos quais de Kurosawa. Espaço Itaú Frei Caneca, sáb. (29), 15h25, 2ª (31), 19h20, 4ª (2), 17h30. 

 

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