Wilton Junior/AE
Wilton Junior/AE

12 troféus consagram 'O Palhaço' e Selton Mello em premiação

O diretor Cacá Diegues foi o homenageado pelos 50 anos de carreira

Roberta Pennafort,

16 Outubro 2012 | 16h25

Indicado do País para concorrer a uma das cinco vagas da disputa de melhor filme estrangeiro no Oscar 2013, O Palhaço já chegará chancelado pelo chamado "Oscar Brasileiro". Nesta segunda-feira, 16, à noite, o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, entregue pela Academia Brasileira de Cinema, concedeu ao filme de Selton Mello onze troféus Grande Otelo, fora o de melhor filme ganho pelo voto popular, totalizando 12 prêmios.

Somente em duas categorias em que concorria O Palhaço não venceu: a de melhor atriz coadjuvante (Drica Moraes, pela cafetina de Bruna Surfistinha) e melhor som (que foi para O Homem do Futuro). Superou o nocaute de Tropa de Elite 2 em 2011 (nove troféus). Era tanto prêmio seguido - melhor filme, direção, ator (Selton), coadjuvante (Paulo José), roteiro, categorias técnicas - que se criou um clima de certa apatia na plateia do Teatro Municipal do Rio.

Mas não para Selton e sua produtora, Vânia Catani, agora às voltas com a estratégia de divulgação do longa nos Estados Unidos, apoiada pelo governo brasileiro. "Esse prêmio significa: ‘Segue aí, garoto!’", brincou ele, quando recebeu o Grande Otelo de diretor. Já Vânia falou do "novo cinema popular brasileiro", do qual O Palhaço é porta-voz. Um cinema que conquista o público (fez 1,5 milhão de pagantes) sem ser raso.

Selton credita a essa qualidade o alcance deste seu segundo filme. Quanto ao Oscar, teme pela concorrência. São 71 inscritos, sendo que uma vaga já é, na opinião dele, de Os Intocáveis, o filme francês mais visto da história (20 milhões de pessoas). O seu custou R$ 6 milhões; o francês, o equivalente a R$ 24 milhões. O concorrente da Dinamarca, A Royal Affair, citou Selton, mais de R$ 100 milhões.

"Acho que O Palhaço tem cara de Oscar. Representa um Brasil diferente do que tem sido mostrado, sem clichê, favela, tiro, sertão, Rio. Eu queria um meio do caminho entre o filme de grande público e o hermético", declarou, ao chegar ao Teatro Municipal do Rio.

Para quem assistiu de casa, pelo Canal Brasil, a noite, com direção esperta e inspirada do diretor de teatro Ivan Sugahara, teve dois momentos de alto grau de emoção. Um foi a entrega dos troféus de coadjuvante a Paulo José e Drica Moraes. "É a categoria ‘os sobreviventes’", disse Drica, referindo-se ao mal de Parkinson do ator e à sua (vencida) leucemia. Os convidados ficaram de pé pela primeira vez durante a cerimônia para saudá-los.

A segunda vez foi quando Cacá Diegues, o homenageado da 11.ª edição, por seus 50 anos de cinema, dividiu o palco com a caravana Rolidei de Bye Bye Brasil (1979): a Kombi dos artistas mambembes lhe trouxe José Wilker, Betty Faria e Zaira Zambelli. "Eu sou novinho demais para essa homenagem, isso é para quem está se aposentando ou já morreu", declarou, com a voz chorosa. "Tomo como um estímulo para recomeçar", acrescentou, emocionado.

 

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