Vivência pelo País é a base dramática do autor

Paraíso é a história de amor "impossível" entre uma jovem de olhos azuis que o povo acredita ser santa e um peão de boiadeiro de olhos verdes, cujo pai cria um diabo dentro de uma garrafa. "Em 1974, fiz uma viagem com minha família pela Bahia, numa veraneio. Conheci o maior produtor de cacau da região, Seu Firmo, que, diziam os empregados, devia sua fortuna a um diabinho, que criava dentro de uma garrafa", lembra Benedito Ruy Barbosa, que tratou de usar o "causo" na primeira versão de Paraíso, em 1982, e, mais tarde, em Renascer, em 1993. É apenas uma das muitas histórias que Ruy Barbosa colhe, à moda de Guimarães Rosa, em suas viagens pelo interior do País, para depois adaptá-las com enorme sucesso à teledramaturgia. "É tudo tratado como lenda. Fiquei imaginando ?como seria um cara que nascesse daquele diabinho??. Daí, inventei o Kadu Moliterno", brinca ele, referindo-se ao ator-surfista que interpretou o protagonista-peão José Eleutério na novela original. No remake, o papel do peão endiabrado é de Eriberto Leão. Depois de imaginar como seria o filho do diabo, o autor foi buscar da memória outra história - a da menina santa - para compor o "amor impossível" da trama. "Conheci essa menina santa em Gália (sua cidade natal, no interior de São Paulo). Juntava uma multidão na janela dela - não eram 10 pessoas; eram mais de cem. Depois, os padres foram lá e mandaram parar com aquilo", conta. O papel de Maria Rita, a tal "santinha", foi de Cristina Mullins em 1982. Agora, será de Natália Dill. Romance embalado pelo toque do berrante e por modinhas de viola e emoldurado por belas paisagens rurais, Paraíso traz de volta a questão agrária, a preocupação ecológica e as disputas políticas no ambiente rural. É o universo preferido de Ruy Barbosa, autor que fez sua marca com os amores ingênuos, os causos fantásticos e os contratos assinados com fio de bigode. "Tenho 78 anos. Quando a gente sabe jogar a vivência, a emoção da vida, numa novela, o que parece para quem está assistindo? Que aquilo é verdade", ensina.

Patrícia Villalba, O Estadao de S.Paulo

03 Março 2009 | 00h00

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