Videobrasil exibe obra completa de Carlos Adriano

O cinepoeta que faz do espectador um artista também exibe pela primeira vez no País seu curta Das Ruínas A Resistência

Flávia Guerra, O Estadao de S.Paulo

02 Outubro 2007 | 00h00

Em agosto, no Festival de Cinema de Locarno, na Suíça, uma das seções chamava a atenção. PlayForward era seu nome. E trazia para a tela o melhor do cinema experimental do mundo. Um dos filmes era Das Ruínas A Resistência, de Carlos Adriano. Na tela, as imagens se dividiam, duplicavam, transformavam-se, voltavam a ser uma única. Cenas de um passado vivaz e nitidamente próximo da realidade brasileira eram acompanhadas por uma voz familiar. Eram imagens que o poeta concretista Décio Pignatari filmara no início do século passado, registrando o processo de industrialização do Brasil, mas que nunca havia montado e estavam esquecidas em seu arquivo. O curta dedo espectador que de fato os vê um artista.'''' A lista dos fãs de Adriano é extensa. Ismail Xavier, Carlos Reichenbach, Amir Labaki, o cineasta Ken Jacobs, Augusto de Campos (que escreveu uma ode ao seu cinema) e, claro, Décio Pignatari. Mas, seja músico, poeta, cinéfilo, teórico ou público comum, bom mesmo é se deparar com as imagens que Adriano joga na tela e na retina. E ter a certeza, e a dúvida, de que passam muito longe da cinemesmice. O roteiro, quem o cria somos nós. Daí a arte que faz de quem a vê, um artista. O tema do Videobrasil são os limites entre arte, cinema e vídeo. De transpor as barreiras de formato, montagem, tema e afins , Adriano entende.

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