Uma HQ maior do que o seu tempo

Hoje em dia, quando mesmo a crítica aos super-heróis costuma ser clichê, a lição de Watchmen continua intacta. Quando imaginou a série Watchmen, em 1986, o escritor inglês Alan Moore estava não só desafiando uma convenção como usando a mitologia do herói como pretexto para reinterpretar a moralidade humana. Seu esforço foi reconhecido em todos os quadrantes (a revista Time incluiu a HQ entre os cem maiores romances do século). Usando narrativas simultâneas, metalinguagem, recursos simbólicos em cascata, o autor e seu parceiro, o desenhista Dave Gibbons, deram ao gênero um estofo único. Os heróis aposentados com mentalidade de homem médio americano, ou com tino comercial digno de um Maddof, reinventaram o gênero. Num mundo onde um vigilante quase psicopata é a única força moral incorruptível, o que resta? Ou, como dizia o slogan do gibi: Quem vigia os vigilantes?

Jotabê Medeiros, O Estadao de S.Paulo

06 Março 2009 | 00h00

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.