Um western com a marca do mestre expressionista Lang

Em 1941, o mestre expressionista alemão Fritz Lang, fugitivo do nazismo, já estava instalado em Hollywood, onde realizou filmes de diversos gêneros (westerns, policiais, dramas de guerra, aventuras), adaptando muito bem à dinâmica da ação o interesse pelo choque entre o indivíduo e o destino que está essência de sua produção européia. Naquele ano, Lang fez Os Conquistadores (Western Union), com Robert Young, Randolph scott e Patricia Gilmore, que trata de um tema mais tarde retomado por outro europeu ilustre, Sergio Leone, em Era Uma vez no Oeste - o papel da estrada de ferro no processo civilizatório do Velho Oeste. O filme de Lang, um pistoleiro vai trabalhar na companhia que constrói a estrada de ferro. Ele tenta impedir que seu irmão bandoleiro destrua o trabalho que vem sendo feito, e o filme também trata de outros perigos - a natureza hostil, os índios. Mesmo não sendo o melhor Lang - Rancho Notorious, com Marlene Dietrich, é melhor - tem classe. Na visão de Leone, o papel da estrada de ferro não é tão heróico. Seus sicários eliminam pequenos proprietários que não querem vender suas terras. A epopéia de Fritz Lang vira outra coisa - o nascimento do capitalismo selvagem.

Luiz Carlos Merten, O Estadao de S.Paulo

01 Outubro 2007 | 00h00

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