Stephan Crasneanscki/Yoko Ono
Stephan Crasneanscki/Yoko Ono

"Temos de fazer coisas além dos limites da 'mulher artista' e da arte 'feminista'", diz Yoko Ono

A artista falou com o Estado sobre a exposição 'O Céu Ainda É Azul, Você Sabe...', que entra em cartaz no Instituto Tomie Ohtake

Entrevista com

Yoko Ono

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

01 Abril 2017 | 03h00

Yoko Ono faz arte para questionar a própria arte – praticante do experimentalismo e do vanguardismo, associada à arte conceitual, performance, ela é movida pela inquietação. É o que se pode comprovar na exposição O Céu Ainda É Azul, Você Sabe..., que começa hoje para o público, no Instituto Tomie Ohtake. Trata-se de uma grande retrospectiva, que abarca desde sua primeira obra instrução, Lighting Piece / Peça de Acender (1955) – “acenda um fósforo e assista até que se apague” –, passando pela sua produção artística dos anos 1960, 70, 80, até o presente.

Entre as obras da exposição, há uma série de filmes, dois dos quais tiveram a participação de John Lennon na concepção. Em Estupro (1969), o músico foi codiretor e, em Liberdade (1970), de apenas um minuto, assina a trilha sonora.

“Uma instrução de Yoko Ono não possui um corpo fixo: um lugar, uma matéria ou sequer uma língua original a que se tenha que remeter para estar junto da obra da artista”, observa o curador do Instituto Tomie Ohtake, Paulo Miyada. “A obra aparece como um enunciado, um fragmento linguístico, mas não se encerra nele; pode estar em muitos outros lugares ao mesmo tempo.”

“A exposição pretende revelar os elementos básicos que definem a vasta e diversa carreira artística de Ono – uma viagem através da noção de arte em si, com um forte envolvimento social e político”, diz o curador Gunnar B. Kvaran. Yoko respondeu por e-mail. 

Como vê a mudança da arte feminista desde que começou a produzir arte, e o que acha que ainda falta às mulheres artistas?

Temos de fazer coisas incrivelmente excitantes, além dos limites da “mulher artista” e da arte “feminista”. 

Alguns de seus trabalhos são mensagens muito simples e diretas; outros são muito mais complexos e misteriosos. Para você a arte visual, neste ponto, presta-se mais a mensagens simples ou a complicadas? 

Não acho que um trabalho seja mais simples que outro. Mesmo que a obra consista de uma só palavra, cada palavra em si é muito complexa.

Você e John eram músicos e artistas visuais. Como artista, o que aprendeu com John, e o que ele aprendeu com você? 

Acho que nós dois éramos tão independentes que não chegamos a aprender muito um com o outro. O que foi ótimo. 

Você esteve no epicentro de alguns dos momentos mais transformadores e culturalmente dinâmicos do século passado. Como vê o que está acontecendo agora? Progresso ou retrocesso? 

Não retrocedemos, com certeza. Seguimos avançando, avançando, avançando.

O CÉU AINDA É AZUL, VOCÊ SABE...

Instituto Tomie Ohtake

Rua Coropés 88

Tel.: 2245-1900

3ª a dom., 11h/20h

R$ 12 (3ª grátis)

Abre hoje (1º/4), até 28/5

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.