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SP-Arte/Foto abre com convidados estrangeiros

Feira reúne 32 galerias, revela jovens fotógrafos e traz nomes de peso do cenário internacional

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S.Paulo

24 Agosto 2017 | 06h00

A foto que ilustra esta página (da série Iluminados) é de um profissional baiano nascido em Xique-Xique, no interior da Bahia, João Machado, que veio tentar a sorte em São Paulo nos anos 1990 e hoje é um nome disputado entre colecionadores, que devem comparecer em peso à 11ª edição da SP-Arte/Foto. A feira começa na quinta, 24, no Shopping JK Iguatemi, e reúne tantos jovens fotógrafos – a nata da nouvelle vague brasileira – como veteranos estrangeiros, entre eles o norte-americano Steve McCurry, cuja onipresença internacional justifica a alta cotação de suas fotos (mais de R$ 60 mil por uma pequena, com tiragem de 90 exemplares).

A feira, porém, é acessível não só aos colecionadores com alto poder aquisitivo. É possível, por exemplo, comprar exemplares de edições ilimitadas de Thomas Farkas (1924-2011), um dos pioneiros da moderna fotografia brasileira, por R$ 2 mil. De modo geral, o preço médio das fotos à venda é de R$ 18 mil, embora o visitante vá encontrar fotos de tiragem limitada por R$ 5 mil, caso dos fotógrafos mais jovens.

Pela feira, que reúne 32 galerias, devem passar 18 mil pessoas até domingo. Para elas, foram criados seis circuitos gratuitos de visitas diárias que deverão funcionar como uma iniciação pedagógica no mundo da fotografia – o visitante tanto pode escolher a fotografia moderna como a contemporânea, passando pelo fotojornalismo e a foto arquitetônica. E ainda ouvir alguns dos maiores especialistas estrangeiros no Lounge One do JK Iguatemi, falando sobre temas como a perspectiva antropológica da fotografia – em pauta hoje, pelo colecionador Arthur Walther, fundador de um museu na Alemanha – ou o papel do curador em instituições internacionais como a Tate de Londres (na sexta, 25, com o inglês Simon Baker).

Desde a primeira edição, a idealizadora e diretora da SP-Arte/Foto, Fernanda Feitosa, convida diretores e curadores estrangeiros. Há dois anos, a curadora de fotografia do Museu de Arte Moderna de Nova York, Sarah Meister, veio fazer uma palestra e acabou comprando um lote de fotografias de pioneiros modernistas brasileiros. Agora chegou a vez de Arthur Walther, investidor de Wall Street, que criou um museu em Ulm, na Alemanha, voltado para a fotografia antropológica. “O acervo tem do alemão August Sander ao nigeriano Okhai Ojeikere, mas não brasileiros”, conta Fernanda.

Os seis circuitos oferecidos ao público da 11ª edição da SP-Arte/Foto foram pensados pelos organizadores da feira para formar colecionadores e informar os visitantes sobre os mestres da fotografia moderna e os novos valores contemporâneos – e há um time de jovens fotógrafos cujo trabalho merece ser acompanhado de perto pelos interessados, particularmente os egressos do fotojornalismo, como o paraense Gabriel Chaim, de 35 anos, cinegrafista premiado que trabalhou tanto com a banda pop U2 como cobriu conflitos internacionais, entre eles os combates para a libertação de Mosul do controle do Estado Islâmico.

Chaim faz parte de um time formado pela Doc Galeria, um escritório de fotografia criado em 2012 que revelou talentos como Drago (o paulistano Victor Dragonetti), de 27 anos, hoje no acervo do Museu de Fotografia, recentemente criado em Fortaleza pelo empresário Sílvio Frota, que todo ano, religiosamente, marca presença na SP-Arte/Foto, tendo adquirido na feira parte da sua coleção. A mesma Doc trabalha com outros premiados fotógrafos, entre eles Maurício Lima, o primeiro brasileiro a receber o prêmio Pulitzer em sua categoria por seu ensaio sobre refugiados em busca de asilo na Europa.

“Ao lado do jovem fotojornalismo, temos na feira imagens históricas de veteranos como o gaúcho Flávio Damm, ainda ativo, aos 89 anos, e José Medeiros, que fundou a agência Image em 1962”, lembra a diretora da SP-Arte/Foto, Fernanda Feitosa. A Image teve como cofundador Flávio Damm, que integrou a equipe da revista O Cruzeiro e cobriu a coroação da rainha Elizabeth 2ª, em 1954. Damm está representado na galeria Marcelo Guarnieri, que também expõe os históricos José Medeiros (1921-1990), Marcel Gautherot (1910-1996), Mário Cravo Neto (1947-2009) e Pierre Verger (1902-1996).

Pela primeira vez em seus 11 anos de existência, a SP-Arte/Foto firma parcerias com galerias, instituições culturais e ateliês para incorporar a programação paralela aberta no mês em que se comemora o Dia da Fotografia. Muitas exposições foram abertas nos dias que antecederam a feira, entre elas a de um jovem fotógrafo que já faz parte de coleções importantes, o paulistano Julio Bittencourt, que abriu na terça, 22, uma individual na Lume e tem suas fotos vendidas em várias galerias durante a feira. “A evolução da feira para um festival é algo natural, pois nascemos com vontade de ser um evento agregador, uma plataforma de debate sobre a fotografia, embora não seja de nossa natureza fazer curadoria”, assinala Fernanda Feitosa.

Como evento plural, a feira vai promover com a galeria Vermelho um projeto que combina escambo de fotolivros e livrotecagem – idealizado por Denise Gadelha em forma de projeção de vídeo com trilhas selecionadas por fotógrafos. A feira vai colocar à disposição do público fotolivros novos para troca com usados (em bom estado). Vai também promover o lançamento de livros de fotógrafos participantes da SP-Arte/Foto, entre eles André Penteado (Missão Francesa), Christian Cravo (Luz e Sombra) e Inês Bonduki (Linha Vermelha).

A participação das mulheres na feira, aliás, tem crescido. É rara a galeria que não tem uma fotógrafa em seu elenco. A Arte 57 traz Nan Goldin, Rosângela Rennó e Betina Santana. A Arte Hall tem Ana Nitzan e Celina Portella. Na Biographica, destaca-se o nome de Bel Pedrosa; a premiada Claudia Jaguaribe está na Casa Nova e na Fotospot. Além desses nomes, veteranas como Maureen Bisilliat e Stefania Bril podem ser vistas na Fólio Livraria. A lista é imensa.

Novas galerias participam pela primeira vez da SP-Arte/Foto: a mencionada Doc, a também paulistana Janaína Torres e a mineira Periscópio, fundada há dois anos em Belo Horizonte. A última combina um time de veteranos, como o mineiro Wilson Baptista, morto em 2014, aos 100 anos, e o jovem paraense Éder Oliveira, de 34 anos, que ganhou destaque na 31ª Bienal de São Paulo.

Um segmento que cresce dentro do mercado de fotografia é o dos pioneiros modernos. Nas primeiras edições da feira, duas galerias dominavam o panorama: a Fass (hoje Utópica) e Luciana Brito. “Nesta edição, as galerias Gávea, Marcelo Guarnieri e Mario Cohen também trazem fotos raras dos modernos”, comenta Fernanda Feitosa, também colecionadora de imagens vintage dos pioneiros da foto experimental no Brasil, que conversa hoje, às 16h30, com o colecionador Arhur Walther, dentro da série Talks.

11ª SP-ARTE/FOTO 

Shopping JK Iguatemi 

hojeAv. Presidente Juscelino Kubitschek, 2.041, 3º piso. 5ª/Sáb., 14h/21h. Dom., 14h/20h. Grátis

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