Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Secretário municipal de Cultura tem opinião contrária ao prefeito João Dória no caso MAM

Em vídeo, Andre Sturm diz que não deve haver limites para a arte, indo de encontro ao que falou Dória

Pedro Rocha, ESPECIAL PARA O ESTADO

03 Outubro 2017 | 11h47

O secretário municipal de Cultura de São Paulo, Andre Sturm, divulgou um vídeo nas redes sociais em que manifesta uma opinião contrária à do prefeito da cidade, João Dória, em relação ao caso da performance artística realizada no Museu de Arte Moderna de São Paulo na última semana. Imagens que circulam nas redes sociais mostram uma criança tocando o corpo de um artista, nu, que fazia uma performance interativa na abertura de uma exposição. 

Segundo Sturm, não deve haver limites ou censura para a arte. “É um pressuposto da arte a liberdade e, em muitos casos, a inovação, o risco e até a polêmica”, afirmou. 

Sturm defendeu, porém, a discussão sobre a classificação indicativa para exposições e instalações artísticas. Atualmente, pela lei, essa classificação, diferente de outros meios de arte como cinema, teatro e televisão, é feita pela própria curadoria dos museus. “Não é uma censura, não é proibitiva. Ela (classificação indicativa) ajuda a quem, que esteja com a criança, saiba melhor o que espera.” 

O secretário criticou ainda as manifestações violentas contra a performance artística no MAM. Funcionários do museu afirmam ter sido agredidos. “Isso não pode acontecer de forma nenhuma”, disse, citando Voltaire e defendendo a liberdade de expressão, sem violência, para ambos os lados da polêmica. “Qualquer manifestação contrária, que também é um direito da sociedade, tem que ser do lado de fora e sem nenhum tipo de violência.”

“A liberdade é o principal valor da sociedade”, completou ainda. “A gente precisa sempre respeitar a opinião e o direito dos outros - de fazer a arte que considerarem razoável e dos outros de criticarem.”

No último sábado, 30, porém, o prefeito de São Paulo, João Dória, manifestou uma opinião contrária. Segundo ele, “tudo tem limite”, o que incluiria a arte. “Eu considero que a arte é uma manifestação sempre muito aberta, muito ampla, mas tudo tem limite”, disse Dória, também num vídeo divulgado nas redes sociais. 

“No caso aqui de São Paulo, por exemplo, a exposição realizada no MAM, que é uma instituição séria, no parque do Ibirapuera, não pode, em nome dessa liberdade, permitir que uma cena libidinosa, que estimula uma relação artificial, condenada, e absolutamente imprópria, seja colocada para o público”, afirmou o prefeito no vídeo. 

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