Questionamento sobre os efeitos da cultura de massa

Coreógrafa argentina Constanza Macras apresenta o espetáculo inédito no Brasil Big in Bombay, com a cia. alemã Dork Park

Livia Deodato, O Estadao de S.Paulo

02 Outubro 2007 | 00h00

Uma sala de espera onde pessoas com diferentes perfis aguardam não se sabe bem o quê. Reunidas ao acaso do destino, elas se relacionam da maneira mais convencional, como batendo um simples papo, à mais inusitada, seja dançando, cantando ou atuando. O ponto em comum que parece unir todos essas pequenos relatos de vida, que vão sendo contados paralelamente, é o desejo de ser escolhido, de ser o melhor. De se destacar no meio da multidão. E quem vai determinar essa escolha é você, que acompanhará o desenrolar da história que julgar mais interessante. Com o objetivo de questionar os efeitos da cultura de massa, sua fabricação enlatada e conseqüente transformação da arte genuína em arte global, a coreógrafa argentina Constanza Macras montou o espetáculo Big in Bombay em 2005, com a companhia de dança Dork Park, que fundou na Alemanha há quatro anos. Eles vêm ao País pela primeira vez e se apresentam somente hoje e amanhã no Teatro Paulo Autran do Sesc Pinheiros. Antes disso, passaram pelo Festival Internacional de Teatro Porto Alegre em Cena, que ocorreu no fim do mês passado. ''''Fomos muito bem-recebidos. O espetáculo diz muito sobre viver em grandes cidades, como Porto Alegre e São Paulo. Daí a identificação direta do público'''', diz Constanza. No entanto, não se iluda a ponto de imaginar que Big in Bombay é um espetáculo que pode ser facilmente digerido. Ele perturba - e muito. Quando o caos se instalar no palco, liberte-se de todo e qualquer pensamento ortodoxo. Não foi mesmo à toa a escolha do nome do espetáculo. Bombay (Bombaim, em português) é a maior cidade da Índia e considerada uma das mais populosas de todo o mundo, com mais de 13 milhões de habitantes. Alcançar um lugar ao sol em Bombay (ser Big in Bombay) é o desafio de quem quer sobreviver dentro desse sistema que legitima pequenas corrupções diárias para chegar onde se deseja. Para enriquecer a proposta, o espetáculo não poderia se encaixar em apenas uma categoria, como a dança. A companhia fundada por Constanza, Dork Park, abrange atores, bailarinos e músicos que procuram contemplar grande parte das esferas artísticas - ainda mais neste caso, quando há metalinguagem. Ainda este ano, pretendem estrear outros dois espetáculos, Brickland e Scratch Neukõlln II.

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