Tiago Queiroz
Tiago Queiroz

Protesto contra performance no MAM termina em confusão

Funcionários do museu teriam sido agredidos a socos por manifestantes, hoje, por causa da performance do bailarino Wagner Schwartz

O Estado de S. Paulo

30 Setembro 2017 | 16h58

Uma nova manifestação contra a performance do bailarino e coreógrafo Wagner Schwartz na 35.ª. edição do Panorama da Arte Brasileira, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), terminou em confusão. A assessora de imprensa do museu, Roberta Montanari, afirma que foi agredida por uma manifestante com um soco e xingada de “pedófila”. Outros funcionários teriam sido igualmente agredidos, física e verbalmente, por 20 pessoas que se reuniram em frente à sede do museu, hoje, dia 30, para protestar contra a performance de Schwartz.

No dia 26, terça, na abertura do Panorama, tradicional mostra bienal do MAM, Schwartz fez uma performance, La Bête, em que se colocava no lugar de um “bicho” da artista carioca Lygia Clark, que morreu em 1988, para ser manipulado pelo público – o “bicho” da artista, representante do movimento neoconcreto brasileiro, é uma peça de metal que pode ser manipulada pelas pessoas. Uma mulher com a filha de cinco anos se aproximaram do artista, que estava nu, e tocaram parte de sua perna e seus pés, e isso fez com que o vídeo, exibido por um internauta, detonasse acusações de pedofilia na rede e ameaças à integridade física do curador da mostra, Luiz Camilo Osório.

O diretor do MAM, Felipe Chaimovich, acompanhado do advogado do museu, João Turchi, disse à reportagem do Estado, que vai prestar queixa na delegacia. “O Icom (International Council of Museums) recomendou a todos os museus do mundo que não tratem suas obras de maneira diferenciada e é essa recomendação que o MAM vai seguir, pois a performance de Wagner Schwarz não é diferente”. A solidariedade que entidades como a Associação Brasileira dos Críticos de Arte (ABCA) e museus prestaram ao MAM prova, segundo Chaimovich, que a má interpretação dessa performance por quem não estava presente à abertura provocou acusações improcedentes.

O prefeito de São Paulo, João Doria, referindo-se ao episódio do MAM, condenou a performance num vídeo transmitido pela internet, dizendo que não se pode afrontar a família e que a arte deve ter limites. Sobre a exposição Queermuseu, do Santander Cultural, e a performnance do museu paulista, Doria foi taxativo: “Afrontam o direito, a liberdade e, obviamente, a responsabilidade”. O prefeito chamou de  “libidinosa” e “absolutamente imprópria” a performance artística no MAM. “Peço que aqueles que promovem a arte no Brasil tenham consciência de que é preciso respeitar os que frequentam os espaços públicos.”

O MAM se manifestou, por meio de uma nota à imprensa, afirmando que não fugiu à responsabilidade. Havia na sala da performance um aviso ao público sobre o conteúdo da apresentação. O Ministério Público abriu investigação para apurar se houve crime ou violação ao Estatuto da Criança e do Adolescente por parte do MAM, do performer ou a mãe da menina que permitiu sua aproximação do coreógrafo.

Em nota ao 'Estado', a defesa dos movimentos São Paulo Conservador e Ativistas Independentes repudiou as acusações, negando que membros do grupo tenham agredido funcionários do MAM, e que tomarão as medidas judiciais cabíveis para 'garantir a integridade física e moral dos participantes do ato'. 

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