Pato Fu experimenta sonoridades

Em Daqui Pro Futuro, nono CD da carreira, grupo utiliza, com toques eletrônicos, desde sons de realejo até uma orquestra

Adriana Del Ré, O Estadao de S.Paulo

07 Julho 2030 | 00h00

A banda mineira Pato Fu chega ao nono CD, Daqui Pro Futuro (Rotomusic), mostrando-se cada vez mais convicta no diálogo entre a música orgânica e a mecânica. Neste trabalho em especial, o guitarrista John Ulhoa, a vocalista Fernanda Takai e companhia reforçam mais as pinceladas eletrônicas, como uma maneira de testar livremente toda a sorte de sonoridades. Uma bênção da modernidade para o orçamento enxuto do Pato Fu, que trabalha há algum tempo como independente, e a infra-estrutura modesta do estúdio de John, instalado na casa dele e de sua mulher, Fernanda. Desses experimentos, John, que mais uma vez assume a produção do disco da banda, conseguiu reproduzir desde sons de realejo até de uma orquestra. Segundo ele, os recursos eletrônicos são recorrentes na música do Pato Fu, desde o início, mas que só agora, com o avanço da tecnologia, eles tornaram-se menos perceptíveis e mais sutis. ''''Você pode fazer um disco de orquestra todo no computador, sem precisar de uma orquestra de verdade.'''' Fernanda diz que, obviamente, adoraria cantar acompanhada de uma orquestra ou simplesmente de um quarteto de cordas, mas que seria incompatível com a realidade da banda, que conduz sua carreira sozinha. ''''E nós queríamos experimentar'''', diz. ''''No início do Pato Fu, usávamos esses programas até para chocar, mas isso foi dando espaço às composições e o uso da eletrônica se integrou mais à parte humana, à banda. Vem com mais texturas.'''' A ''''pirotecnia eletrônica'''' do início de carreira deu espaço a construções sonoras mais bem elaboradas. Para eles, os recursos mecânicos justificam os meios e não os finalmentes. ''''Nosso processo é esse, que é o de sintetizar'''', explica John. Mas, apesar desses elementos, a contribuição ''''orgânica'''' dos músicos da banda proporciona o desejado contraponto. Sobretudo, na presença elegante e suave da Fernanda Takai no vocal, imprimindo nas canções a tal calmaria homogênea identificada por eles neste novo trabalho. Fernanda voltou a compor, algo que ela sentiu falta de fazer no disco anterior, Toda Cura Para Todo Mal - que também foi totalmente gravado e mixado no estúdio do casal. Na época, ela preferiu se dedicar integralmente à filhinha Nina, que havia acabado de nascer. Só dava um tempo na maternidade na hora das gravações. E nada mais. Com John, compôs canções como 30.000 Pés, Espero e Vagalume. Apesar da parceria se dar sob o mesmo teto - Fernanda na melodia e John nas letras -, a vocalista conta que o processo de composição ocorre separadamente. E mais uma vez entram as bênçãos da modernidade nessa história: Fernanda envia seus rascunhos melódicos via computador para o marido no estúdio, que pega do outro lado, pensa na letra e debate o tema com a parceira via Skipe e por aí vai. ''''Como compositora e intérprete me sinto mais confortável assim.'''' Juntos e com um terceiro parceiro, Rubinho Troll, compuseram uma canção em homenagem a Nina, Mamã Papá. Na realidade, explica Fernanda, uma homenagem às Ninas, dela e da amiga Graziella Moretto (que encomendou a canção na época em que tinha acabado de lançar um livro voltado para mães como ela), e aos papais do Pato Fu. A banda, que gosta de integração com músicos de outras partes, desta vez trouxe como convidada especial a cantora e compositora colombiana Andrea Echeverri, que fez uma parceria com John em Tudo Vai Ficar Bem. Eles conheceram Andrea como integrante do grupo Aterciopelados. Fã da banda, Fernanda diz que eles começaram a se comunicar com os integrantes via internet e aproveitava para mostrar para eles o trabalho do Pato Fu. ''''Eles gostaram do nosso som também e rolou a empatia'''', conta Fernanda. ''''O legal é criar um intercâmbio entre os públicos.'''' Entre as 12 faixas de Daqui Pro Futuro, há apenas uma regravação, Cities in Dust, clássico da banda Siouxsie & The Banshees, que mostra a intrínseca ligação dos integrantes do Pato Fu com os anos 80. O CD está à venda, a princípio no site do Uol Megastore, a R$ 9,90 e chega às lojas, como CD físico, no dia 17 de agosto. Paralelo à gravação do disco, Fernanda Takai se dedicou a um projeto idealizado por Nelson Motta, que lembrará Nara Leão e todas as fases de sua carreira. Fernanda diz que chegou a pensar se integraria ou não esse projeto, até pensando na nova turnê do Pato Fu, mas acabou sendo convencida por Nelson Motta e os companheiros de banda.

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