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Obras de Aleijadinho podem ser vistas em 3D pela internet

Projeto foi desenvolvido pela USP de São Carlos

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Rene Moreira ,
O Estado de S. Paulo

18 Novembro 2014 | 08h48

SÃO CARLOS - Nesta terça-feira completam-se 200 anos da morte do mestre barroco Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. Quem não conhece as obras do artista -ou nunca mergulhou a fundo nos detalhes de seu trabalho, agora tem uma grande oportunidade e sem sair de casa. Através de um projeto desenvolvido pela USP de São Carlos, é possível visualizar os trabalhos do famoso escultor em 3D, bastando para isso acessar a internet (www.aleijadinho3d.icmc.usp.br).

Resultado de uma pesquisa realizada pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) de São Carlos (SP), vinculado à USP (Universidade de São Paulo), o site alia tecnologia e conectividade visando divulgar o patrimônio do artista brasileiro. O projeto começou em julho do ano passado quando os professores José Fernando Rodrigues Júnior e Mário Gazziro digitalizaram as obras de Aleijadinho nas cidades de Ouro Preto e Congonhas, em Minas Gerais. Foram escolhidas as que estão ao ar livre, sujeitas a sofrerem um processo de deterioração.

Para conseguirem os efeitos que necessitavam, os pesquisadores usaram um escâner tridimensional de alta precisão, fornecido sem custos por meio de uma parceria com uma empresa suíça que no Brasil tem sua sede justamente na cidade de São Carlos. O equipamento possibilitou que as obras fossem digitalizadas a uma distância entre 10 e 30 metros, sem a necessidade de providenciar qualquer isolamento da área.

De acordo com José Fernando Rodrigues, apesar de a digitalização de obras usando tecnologia de escaneamento 3D ter sido aperfeiçoada e se tornado mais como na última década, trata-se de algo novo. "Esse é um trabalho que demanda especialistas e procedimentos especiais para sua realização", explica.

Ele contou que foi preciso muito cuidado para corrigir falhas do escâner 3D, como buracos, ausência de detalhes e cores incorretas. Outro problema a ser resolvido foi com relação ao tamanho dos arquivos, já que a imagem de uma única estátua bruta, por exemplo, chega a ter mais de 200 megabytes de dados. Para exibir isso via internet, por meio de computadores e dispositivos móveis, foi preciso resolver também esta questão. "Mas no fim conseguimos aliar a tecnologia e a conectividade", afirmou Rodrigues.

Produção. Para reproduzir no computador a obra de Aleijadinho em 3D, primeiro foi preciso escanear o objeto a partir de diferentes ângulos (frente, lados, costas, por cima e por baixo). Cada tomada, a partir de cada ângulo, gerou um arquivo, sendo todos eles combinados para que se compusesse uma única informação tridimensional.

Depois dessa etapa da combinação, o resultado foi um grande emaranhado de pontos, conhecido tecnicamente como nuvem, o qual ainda não possibilita a visualização de um objeto tridimensional. Por isso, foi necessário passar os dados pelo processo de triangulação e, em seguida, de coloração. Nessa fase, uma empresa especializada atuou voluntariamente no projeto inserindo as informações de cores nas formas em 3D.

Depois disso ainda restaram outras etapas, como decimação e a correção das imperfeições. Tudo isso contou com o trabalho dos dois pesquisadores, de voluntários, das empresas envolvidas e da historiadora Natália Gonçalves, auxiliada por cinco estagiários

Mostra. A diretora do Museu de Ciências da USP, Marina Yamamoto, contou que a instituição desenvolverá futuramente uma exposição virtual a partir desse material, ampliando as informações disponibilizadas ao público sobre a obra e a vida de Aleijadinho, o contexto histórico e a localização geográfica de sua produção. "Vamos oferecer novas possibilidades de visualização e de interação com as obras", finalizou.

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