Breno Laprovitera/Divulgação
Breno Laprovitera/Divulgação

O painel ‘Alumbramento’ volta para o Senado

Abandonada desde os anos 1990 em um depósito, obra de Marianne Peretti ocupa agora a entrada do Congresso Nacional

Isabela Bonfim, O Estado de S. Paulo

03 Outubro 2016 | 04h00

BRASÍLIA - Alumbramento, que tem o efeito de deslumbrar. Esse é o nome do painel de mais de 200 peças de vidro, assinado pela artista Marianne Peretti, que voltará a ser exposto no Senado Federal após anos de esquecimento. A peça, doada pela artista em 1978, foi desmontada e jogada em um depósito nos anos 1990, onde ficou por duas décadas.

Franco-brasileira, Marianne Peretti é uma artista modernista e fez parte da equipe de Oscar Niemeyer na construção da nova capital.

“Estava jogado no chão, como num ferro-velho”, descreve a artista, hoje com 89 anos. Apenas a estrutura de ferro, de 10 m x 2,8 m ainda existia no Senado. Nenhuma das peças de vidro sobreviveu. “Quem fez isso não tem a sensibilidade necessária. Deveriam buscar saber quem foi o responsável”, diz.

O Senado não informa quando o painel foi desmontado ou por qual razão. De forma geral, alega que a peça se deteriorou com o tempo e precisou ser retirada. “O que aconteceu é uma demonstração do enorme descaso que o Estado tem com o patrimônio público”, disse Ismail de Souza, servidor do Museu do Senado, que coordena a reinstalação da peça. E a iniciativa de restaurar e expor novamente a obra partiu de uma empresa de produção cultural privada.

À frente da produtora e especialista na obra de Marianne, Tactiana Braga relata que acompanhou a luta da artista para tentar recuperar o painel esquecido. Em abril, o Senado aceitou ceder os restos da estrutura de ferro para uma exposição no Museu Nacional de Brasília, com a condição que a produtora cobrisse todos os custos e devolvesse a obra restaurada e instalada. O painel foi totalmente refeito e agora é remontado na entrada principal do Congresso, o Salão Branco. A montagem deve ficar pronta em outubro, mas a localização levantou outra questão, a de que o espaço não é o ideal para o vitral, devido à forte luminosidade. O obra foi concebida para um ambiente mais escuro e, anteriormente, ficava instalada em uma sala restrita, destinada à recepção de delegações internacionais.

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