O mexicano Diego Luna brilha em cinco produções

Como ator, produtor e até diretor, ele fala das relações entre Brasil e México

O Estadao de S.Paulo

04 Outubro 2007 | 00h00

Jane Birkin assume que é cinqüentona. Diego Luna acha graça quando o repórter lhe diz que parece mais jovem do que é. ''''Passei dos 30'''', esclarece, mas acha bom, como ator, manter a cara de garotinho. O mexicano Luna bem poderia ser considerado muso do Festival do Rio 2007. Na apresentação de Estômago, na Première Brasil, João Miguel foi chamado de muso do festival porque tem três filmes em exibição no evento carioca. E Diego? São cinco. Em dois, ele é ator, Mister Lonely e O Búfalo da Noite; de dois é produtor, Déficit, a estréia de Gael García Bernal na direção, e Cochochi; e no quinto ele próprio assina a direção. É o documentário J.C. Chávez, que resgata a figura do grande campeão de boxe do México. Por que um filme sobre um pugilista? ''''Nunca havia ido a uma disputa de boxe, mas aí fui a Las Vegas para ver uma luta. Ao meu lado, sentou-se aquele sujeito que começou a conversar comigo. Era Chávez, que havia sido ídolo da minha infância e juventude.'''' Diego tinha 9 anos quando descobriu o lendário lutador que, nos 11 anos seguintes, encarnou uma espécie de alma vitoriosa do México. ''''Chávez era imbatível e, enquanto derrubava os adversários, o México ia mudando. A economia se fortalecia, o Partido Revolucionário Institucional era alijado do poder que ocupava havia décadas. Quando Chávez sofreu a primeira derrota, no mesmo ano ocorreram os levantes de Chiapa e a economia entrou em sobressalto. Achei que, além de resgatar um herói mexicano esquecido, poderia, por meio dele, contar uma história do meu país.'''' J.C. Chávez é uma produção da empresa Canana Filmes, que Gael García Bernal e Diego Luna fundaram para estimular novos talentos. Amigos desde a infância (os pais de ambos eram atores), subiram ao palco juntos quando tinham 12 anos e desde então não se separam. Diego diz que é simples coincidência o fato de a empresa estar produzindo sua estréia e a de Gael na direção. ''''Ocorreu, mas não criamos a Canana para financiar nossos projetos.'''' Ele gosta do filme de Gael - ''''Es muy bueno'''' -, mas não omite que seu preferido, entre os da Canana, é outra produção que está no Festival do Rio - Cochochi, de Laura Amélia Guzmán e Israel Cárdenas, uma história sobre duas crianças que integrou a mostra Orizzonti, em Veneza. Gael e Diego dividiram a cena em E Sua Mãe também, de Alfonso Cuarón, o que permite falar do boom mexicano em Hollywood - Salma Hayek, Cuarón, Alejandro González-Iñárritu. Diego diz que nem Gael nem ele estão vendendo a alma ao cinemão. ''''Queremos ser mexicanos nos EUA, como todos os que cruzam a fronteira. Dizemos que Alfonso e Alajandro são ''''cruceros'''' de luxo'''' (cruceros são os mexicanos que cruzam a fronteira em busca de oportunidades de trabalho). Diego adora o Brasil e Alice Braga, com quem filmou Só Deus Sabe. ''''Nossos países têm muito em comum: violência, corrupção, riqueza cultural e baixa educação. O cinema pode lançar pontes, eliminando as diferenças que nos separam.''''

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